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AS
JÓIAS DO FARAÓ TUTANKAMON
Parte II
Julieta Pedrosa*
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Um dos mais esplêndidos menat
feitos para o faraó é o que combina a representação
da deusa-serpente Wadjet com a deusa-abutre
Nekhbet. Desenhos e figuras foram criados a partir de
minúsculas gemas esculpidas individualmente e inseridas
em células, formadas por fios de ouro ligados a uma base
plana de ouro - técnica conhecida como in-lay. A
jóia, assim como todos os menats, é composta por
compridas fileiras de minúsculas gemas e contas
artisticamente esculpidas, e nos elaborados fechos a
decoração repete elementos de design constantes
na peça principal. Estes colares iam de ombro a ombro,
por cima do peito. As deidades protetoras Wadjet e
Nekhbet, representam o Baixo e o Alto Egito e também
adornam a testa da masca mortuária de Tutankamon. Uma
grande quantidade de asas de falcões, abutres,
escaravelhos e também deidades femininas está
representada nas jóias do faraó, talvez não só por
causa da simbologia inerente destas representações, mas
também porque permitiam aos artesãos criações
maravilhosas na composição de cores e figuras.Vários
pares de brincos foram encontrados na tumba do rei,
apesar de que durante o período em que Tutankamon viveu
os homens considerados adultos não usavam brincos. Os
brincos encontrados são grandes, e eram usados em
orelhas furadas num diâmetro mais largo do que se usa
hoje em dia. Os furos nas orelhas da máscara mortuária
do faraó são proeminentes, mas estes foram cobertos com
discos de ouro em vez de brincos, já que Tutankamon
havia chegado à idade adulta antes da sua morte.
Como a maioria das
jóias encontradas na sua tumba, assim também os
braceletes são peças altamente elaboradas e com
desenhos intrincados, devido à variedade de motivos
complexos. Grandes escaravelhos, projetando-se para fora
da superfície do bracelete, eram comuns à maior parte
dos ornamentos de braço: além de ser um poderoso
símbolo egípcio de regeneração e renascimento, o
escaravelho também consta em um dos cinco nomes de
Tutankamon. A tumba do faraó é a única a ter escapado
aos ladrões de tumba que apareceram ao longo dos
séculos no Egito. Os tesouros que a tumba contém
atestam a imensa riqueza das cortes dos antigos faraós e
são testemunhas mudas do quanto se perdeu na arte e na
ourivesaria egípcias. Se, e de acordo com a História,
Tutankamon não foi um dos faraós mais importantes a
governar o país, então só podemos imaginar os tesouros
em jóias que teriam pertencido aos mais poderosos
governantes do antigo Egito.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras.
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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