 Por vários milênios os selos têm sido
usados para denotar poder, assegurar privacidade em
correspôndencias, ratificar tratados ou garantir
autenticidade a documentos. Ainda nos dias de hoje,
membros da nobreza e líderes religiosos usam selos na
forma de anéis e muitas outras pessoas ou companhias
oferecem o seu "selo de aprovação", seja em
papel, cera ou até mesmo verbalmente.
Os primeiros selos,
possívelmente descendentes dos amuletos de
identificação pessoal que a tradição remonta ao
período paleolítico, são utilizados na história
humana há aproximadamente 9.000 anos. Os mais antigos
exemplos, datados do sétimo milênio antes de cristo,
foram encontrados em escavações na Síria e na Turquia.
Eram feitos de cerâmica ou pedra, sendo a pedra o
primeiro material utilizado para selos, apesar de que
qualquer substância dura e resistente o suficiente para
ser repetidamente pressionada na argila ou na cera
pudesse ser utilizada. Inicialmente os selos continham
gravações de linhas que se cruzavam, mas logo
apareceram também motivos de figuras humanas e animais.
Geralmente, eram furados para deixar passar uma fina tira
de couro e, então, utilizados presos ao pescoço, para
maior segurança. Mais tarde passaram a ser utilizados
amarrados à cintura. Foi somente milhares de anos mais
tarde que apareceram os sinetes.
Os designs dos selos
sempre variaram, de acordo com a cultura, a religião ou
a preferência iconográfica de uma época ou lugar,
essencialmente refletindo o estilo artístico de um
período histórico. Os selos da Grécia e da Roma
antigas podem ser considerados uma importante
manifestação da escultura clássica, por exemplo. Os
primeiros selos da cultura islâmica eram decorados com
figuras naturalísticas ou com estilos caligráficos. Os
chineses também empregavam estes últimos como motivos
para selos, aplicando-os a tecidos ou papéis.
Durante o renascimento, os
selos passaram a ser mais utilizados, e não somente por
pessoas que detinham poder, como os nobres e a hierarquia
religiosa cristã: eram usados em transações comerciais
e legais e os motivos heráldicos eram os preferidos. O
século XIX foi testemunha do declínio funcional do
sinete, apesar de que este manteve o seu significado
decorativo e passou a ser confeccionado em alta escala,
inclusive na forma de camafeus, adornando então também
mãos femininas.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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