O Barroco traz para
a joalheria, no século XVIII, o gosto pela opulência na
utilização do ouro e dos diamantes e de gemas como os
rubis, as esmeraldas e as safiras. A religiosidade que
marcou os períodos anteriores esvazia-se lentamente. As
jóias, que até então se caracterizavam pela
ornamentação com gemas coloridas e esmaltes, passam a
ganhar uniformidade, preferindo a exploração decorativa
em torno de uma só gema, na maioria das vezes. Surge,
então, a "jóia-espetáculo": as jóias passam
a ser utilizadas como ostentação pública de riqueza,
poder ou credo religioso. Em Veneza, no início do século, a
lapidação de diamantes se sofistica com a invenção da
lapidação em brilhante. Até então, a lapidação em
rosa era a mais apreciada, onde o diamante era talhado
somente na superfície visível superior da gema. Com a
lapidação em brilhante e suas facetas dispostas de modo
geométrico, a gema passa a ter maximizado brilho, cor e
fogo, refletidos pela luz. O aparecimento da lapidação
em brilhante não se deve somente ao avanço das
técnicas de lapidação, mas principalmente ao novo
conceito teatral que a jóia passa a ostentar.
O joalheiro mais
procurado é aquele que consegue fazer cravações as
mais discretas possíveis, de preferência despercebidas
ao olhar, e a prata é o metal preferido para cravar
diamantes porque, quando bem polida, confunde-se com
eles. Apesar do diamante ser a gema preferida por
excelência nesta época, rubis, esmeraldas, pérolas e
safiras também foram grandemente apreciadas na joalheria
do século XVIII.
Outras gemas, de menor
valor comercial mas de grande efeito decorativo,
ornamentaram também as jóias de design
naturalista inspirado nos jardins tão apreciados deste
século barroco: citrinos, topázios, ametistas e
cristais-de-rocha. Estes últimos eram muitas vezes
lapidados em brilhante e forrados por folhas de prata na
montagem da jóia, para se assemelharem aos diamantes.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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