Quando
se fala em ensino de técnicas de joalheria, o que vem à
cabeça é que se tem que adquirir logo de início
um cofre para guardar os metais nobres – o ouro, a prata
– e as pedras “preciosas”. Engano. Em uma escola,
talvez ele não seja tão necessário.
O
que acontece, na realidade, é que a pessoa que vai aprender
essas técnicas é um "aprendiz" e, como
tal, sujeito a erros, falhas e, involuntariamente, desperdício
de matéria prima. Como aprendiz ele não tem de ter
nenhum conhecimento prévio sobre o seu trabalho futuro.
Todos os procedimentos básicos do trabalho lhe serão
transmitidos, inclusive como reciclar todo o material utilizado.
Em joalheria, nada se desperdiça. Incinera-se bancas e
uniformes, lixas velhas, recuperamos pós, decantamos a
água, etc. Este processo é fundamental e deve ser
repassado ao aprendiz. Primeiro ele tem que saber trabalhar o
metal, depois recuperar os resíduos.
Nessa
fase de início de trabalho com metal ou as pedras, o aprendizado
tem que ser com materiais de menor valor – latão,
cobre, quartzos comuns – e não com metais nobres
e pedras caras ou de valor intrínseco.
O
aluno começa a se familiarizar aprendendo primeiro para
que servem as ferramentas específicas da sua futura atividade.
Para isso, ele pode trabalhar em latão, pois os exercícios
são para que ele aprenda o manuseio da ferramenta. No caso
das pedras, aplica-se o mesmo princípio. A forma de se
trabalhar com limas, serras, brocas, polimentos, acabamentos com
o latão é exatamente a mesma utilizada posteriormente
em prata e ouro (ou outro metal nobre). Isto também vale
para cravação, fundição, esmaltação,
enfiação de colares e qualquer outra técnica.
Cada metal responde ao trabalho diferentemente. Ainda que o outro
seja o melhor para se trabalhar e o que mais responde ao que fazemos,
é também o material mais caro.
Em
função disso, um ponto deve ser reforçado:
todo aprendizado está sujeito a erros, o que inviabiliza
o trabalho com metais nobres. O treinamento tem que ser repetitivo
e, algumas vezes, até exaustivo, para a formação
de um bom profissional, apto a ser absorvido pelo mercado.
O
mercado é exigente: quer um profissional formado em poucas
horas, mas com a experiência de uma vida no trabalho prático,
o que é impossível. Todos os conhecimentos sobre
metais nobres, as pedras e como trabalhá-los, suas características
e suas propriedades, devem ser repassadas no aprendizado.
Depois
de um treinamento intensivo com esses metais não nobres,
passa-se então para o aprendizado em prata. Assim, toda
a teoria que envolve a preparação de ligas, fundição
e demais aspectos será demonstrada, utilizada e executada
pelo aprendiz. Trabalhar com prata é equivalente a trabalhar
com ouro. O que diferencia é o valor. Os processos de recuperação
de resíduos de metais, cuidados com ferramentas, com a
banca, com polimento, com as mãos, são os mesmos
para ambos os metais - incluindo aí também a platina.
Desta forma,
em uma escola, em um curso, o uso dos metais e pedras é
diferente do seu uso em uma empresa.
Na
empresa, tudo pode ser revertido em aproveitamento. Tudo é
reaproveitado com a recuperação dos metais e de
todo o resto. Em uma escola, esses conceitos são todos
repassados e colocados em prática quando se trabalha com
prata. Mas, o aprendizado em si mesmo, só pode ser feito
com metais comuns que não exigem grandes investimentos,
admitem erros, repetições e ajustes. Um metal pode
ser refundido ou reaproveitado de alguma forma. Uma pedra, não!
Cortou errado, o erro é irreversível.
Para
concluir, não se deve nunca confundir a Escola (ou curso)
que ensine joalheria com Empresa que pratica joalheria. São
estruturas diferentes, objetivos diferentes, métodos diferentes.
O objetivo da empresa é o lucro. O da Escola é a
formação integral de um profissional que possa sobreviver
no mercado com os conhecimentos específicos adquiridos.
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