O estilo
seguinte, chamado Neoclássico, recebeu este nome porque todas
as artes decorativas passaram a inspirar-se nas linhas dos estilos
grego e romano. Esta nova fonte de inspiração impôs
uma simplificação nas vestimentas, masculinas e femininas,
e linhas mais severas ao design das jóias, refletindo os anos
de mudanças políticas em toda a Europa e Américas
que se seguiram à Revolução Francesa.
A história
da joalheria no complexo século XIX inicia - se com as grandiosas
jóias criadas para a corte do Imperador Napoleão I e
que serviram de padrão para toda a Europa e Américas
até à Batalha de Waterloo em 1815: os conjuntos de jóias
chamados parures, compostos de tiaras, brincos, gargantilhas ou colares,
e braceletes fantasticamente adornados com gemas como o diamante,
a esmeralda, a safira, o rubi e a pérola, cujo esplendor sobressaía
mais do que o próprio design das peças. A tentativa
da França em dominar toda a Europa encontrou resistência
na Inglaterra. Portugal, clamando neutralidade, continuou a honrar
os acordos comerciais com a Inglaterra e, como consequência,
França e Espanha concordam em dividir Portugal - acordo este
firmado pelo Tratado de Fontainebleau em 1807 - e Napoleão
ordena a invasão do país. Com a ameaça iminente,
a rainha portuguesa D.Maria I decide transferir a sede da monarquia
portuguesa para o Brasil, aonde chega com toda a sua Corte e vários
artistas e artífices – incluindo renomados ourives -
à cidade do Rio de Janeiro, já há tempos sede
da Colônia, em janeiro de 1808.
A sede
da monarquia portuguesa no Brasil durou até 1821 quando o rei
D.João VI, forçado por pressões políticas
a retornar a Portugal, deixa seu filho o príncipe D.Pedro como
vice-rei reinante. O estabelecimento de uma administração
real pelo período de 14 anos mudou substancialmente a economia,
através da chegada de europeus de várias nacionalidades,
do fluxo de mercadorias manufaturadas estrangeiras e do começo
da industrialização no Brasil, e também os costumes
das famílias: anteriormente praticamente reclusas ao lar, as
mulheres passaram a freqüentar ruas, praças e teatros.
Para não fazer feio diante das damas da Corte portuguesa, as
senhoras brasileiras, além de freqüentar lojas de modas
e cabeleireiros, solicitam como nunca antes os serviços dos
ourives, que adaptam o design francês que continuava em moda,
ao design mais rebuscado do estilo Barroco português. Mas o
movimento pela emancipação do Brasil começa a
tomar uma proporção maior, depois do retorno de D.João
VI a Portugal e isto se reflete na confecção das jóias
no Brasil, que agora passam também a adquirir características
próprias: o Romantismo – com sua volta aos designs da
Antiguidade e da Idade Média - em alta na Europa, influencia
intelectuais e artistas brasileiros, que se preocupam em mostrar em
suas obras e criações as características especiais
– ressaltando temas como a flora, a fauna e o indígena
- de uma nação que se inicia, distinta de todas as outras.
Em
7 de Setembro de 1822, com a proclamação da Independência
do Brasil e a posterior Coroação de D.Pedro com primeiro
Imperador brasileiro em 1º de Dezembro do mesmo ano, o nacionalismo
está no auge. A coroa de D.Pedro I é confeccionada pelo
ourives fluminense Manuel Inácio de Loiola e pesa 2.689g de
ouro. As jóias usadas por homens e mulheres passam a ser decoradas
com gemas que lembram as cores escolhidas para a nova Bandeira, e
é considerada chique a utilização de motivos
decorativos que façam alusão aos novos símbolos
do Império e às riquezas brasileiras.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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