A arte da criação das
jóias macedônias tem estreita ligação com a cultura
helênica. Em temos de estilo, os ourives macedônios
tinham o mesmo alto nível artístico que os ourives do
sudoeste da Grécia e rapidamente adicionavam novas
técnicas e elementos decorativos à suas criações,
aprendidos com os artesãos helênicos.Os ourives macedônios
conseguiram obter fantásticos efeitos de refração da
luz na superfície de suas jóias, obtidos através da
granulação, do "open-work", da grande
variedade de diferentes planos em uma mesma peça e das
inúmeras e estreitas faixas decoradas com motivos
florais.
Para os historiadores, o
ápice da joalheria da antiga Macedônia está
representado pelas jóias e objetos em ouro da tumba de
Felipe II, conquistador da Grécia, encontrada em 1977 em
Vergina, sítio perto da antiga capital da Macedônia,
Aigai.
A
tumba, contendo os restos cremados de Felipe II e sua
segunda esposa Cleópatra sua primeira esposa foi
Olímpia, mãe de Alexandre, o Grande- contém um dos
maiores tesouros em objetos preciosos já encontrados: um
porta-flechas (gorytos) em prata dourada; duas
coroas em ouro, sendo uma formada por folhas de carvalho
e a outra, presumivelmente da rainha Cleópatra, decorada
com folhas de murta e 112 flores recortadas de lâminas
de ouro de diferentes espessuras; dois diademas em prata
sólida banhada a ouro; variadas placas decorativas para
vestuário; um colar peitoral em ouro; fivelas em ouro
decoradas com o sol estrelado macedônio; cinco bustos em
miniatura de marfim e ouro, representando toda a família
real; restos de uma armadura peitoral feita em tecido de
linho, couro , fios e placas de ouro, que Felipe II usava
em cerimônias oficiais, incluindo paradas militares e
celebrações; um escudo ornamental que, pela variedade
de cenas representadas e pela riqueza dos materiais nele
empregados, assemelha-se ao escudo do herói Aquiles,
descrito na "Ilíada"; e uma fantástica
quantidade de objetos decorativos em prata e bronze.
Todos estes itens datam do período entre 350 e 330 aC.
Os restos mortais de
Felipe II, envoltos em tecidos de cor púrpura e azul
bordados com fios de ouro, foram depositados em uma
esplêndida urna funerária (larnax) feita em
madeira e totalmente coberta com folhas de ouro. Ao criar
esta magnífica peça, os talentosos ourives da
Macedônia usaram grande imaginação e criatividade,
combinando uma decoração elegante e refinada com a
suntuosidade do material e a sua importante função
simbólica. Na tampa da urna está gravado em alto-relevo
o símbolo da dinastia real da Macedônia: o sol
estrelado com 16 raios.
Os metais preciosos,
principalmente o ouro, eram conhecidos e utilizados pelos
artífices macedônios desde o início da sua história,
graças ao controle que tinham das minas de ouro e prata
situadas nos Bálcãs, e também nos montes Cárpatos.
Esta abundancia está atestada em documentados comerciais
encontrados na região que abrange o sudoeste da Grécia
e também nas jóias e objetos preciosos encontrados em
tumbas macedônias, como as máscaras funerárias
destinadas a cobrir os rostos dos mais ricos e
proeminentes cidadãos desta antiga e importante
civilização.
|
*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
|