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HISTÓRIA DA JOALHERIA
O OURO E OS OURIVES NA ANTIGUIDADE
Julieta Pedrosa*
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As pepitas de ouro atraíram a atenção de nossos
ancestrais desde muito cedo, e simples ornamentos feitos
em ouro estão entre os mais antigos objetos de metal
feitos pelo homem. O ouro das minas ou de depósitos
aluviais tem sido explorado durante praticamente toda a
história do homem. Foi
no segundo milênio A.C. que o homem começou a minerar o
metal. A mineração nunca foi uma tarefa agradável e
vários documentos se referem às condições terríveis
dos mineradores. Em algumas das minas menores é certo
que trabalhava - se por incentivos econômicos, mas nas
grandes minas controladas pelo estado, escravos,
prisioneiros de guerra e presos condenados trabalhavam
duramente sem descanso. Na Roma antiga, ser enviado para
as minas era uma punição comparável à de morrer na
arena dos coliseus.
As principais minas de
ouro da antiguidade espalhavam se por vários
territórios. As guerras travadas e os conseqüentes
tratados eram orientados de forma a se obter o melhor
acesso ao ouro. Sendo assim, a influência do ouro na
história da humanidade não pode ser subestimada. Por
exemplo, não é coincidência que as terras conquistadas
por Alexandre, o Grande, abrangiam quase todas as minas
do antigo oriente próximo. Famosas entre estas estavam
as minas dos desertos do Egito e da Namíbia, do oeste da
Turquia, da armênia e até mesmo da índia. Na Europa,
as minas de ouro encontravam - se nos Bálcãs, nos
Alpes, na Espanha, na Irlanda, nas montanhas Altai e na
Sibéria, e era negociado principalmente através das
colônias gregas às margens do mar negro.
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Na
antiguidade, o ouro era usado não só como ornamento,
mas também servia para distribuir riquezas. Governantes
e templos podiam acumular grandes tesouros, em geral na
forma de vasos ou outros objetos semelhantes e também na
forma de jóias (as correntes em ouro eram largamente
utilizadas). O ouro era guardado como um sinal de poder e
riqueza, e era utilizado nos negócios e para financiar
guerras e pagar resgates.
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| Para o
cidadão médio da época, o ouro servia como moeda
(reserva econômica). De vez em quando surgia uma lei
para limitar a posse do ouro por indivíduos, mas não
prosperava. O ouro tinha um significado alto na escala de
valores, e objetos em ouro eram valorados e negociados
pelo seu peso e não só pelo trabalho empregado na sua
decoração. A negociação com ouro foi formalizada no
primeiro milênio A.C. pela introdução da cunhagem da
moeda. A circulação da moeda passou a facilitar o
comércio e mais pessoas passaram a ter acesso ao ouro. A
cunhagem de moedas passou a ser controlada pelo estado,
que estabelecia o peso e a pureza do material empregado.
Penas severas eram impostas a quem adulterasse qualquer
destes itens. Era
grande a variedade de técnicas de ourivesaria usadas
pelos ourives da antiguidade. Em síntese, a chave para a
ourivesaria do mundo antigo era a simplicidade no
processo de confecção combinada com o refinamento na
decoração. Os ourives deste período construíam suas
próprias ferramentas. Nos primórdios, "martelava
se" o ouro com pedras. Mais tarde,
ferramentas simples, como o martelo, foram inventadas e
passaram a ser utilizadas pelos ourives. O trabalho de um
ourives era predominantemente feito a partir de uma folha
de ouro (obtida pelo contínuo martelar do metal até
tornar-se uma superfície plana, lisa e de espessura
desejada), que era então cortada com uma faca ou um
cinzel na forma escolhida e ornamentada com filigrana,
granulação ou outras técnicas decorativas, como a
simples perfuração. Fios de ouro eram confeccionados
cozendo e martelando uma fita fina de ouro até obter a
espessura do fio desejada ou então torcendo e enrolando
duas fitas estreitas de ouro. Desenhos decorativos podiam
ser impressos na folha de ouro utilizando-se ferramentas
simples feitas de madeira ou osso. Até mesmo objetos
maciços, como anéis ou broches, eram feitos somente com
a utilização de martelos.
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A fundição do ouro
era raramente empregada para confecção de jóias ou
objetos valiosos e somente começou a ser utilizada
durante a idade do ferro, na Europa. A fundição de metais
era certamente conhecida e utilizada no mundo antigo
desde o início da idade do bronze, mas raramente era
feita com ouro. Uma das razões para isso era a
potencialidade de quebra: era quase impossível produzir
um molde que utilizasse sempre uma mesma quantidade de
ouro. Com as modernas técnicas de hoje isso não se
constitui um problema, mas na antiguidade, onde o ouro
era caro, escasso e geralmente fornecido pelo cliente ao
ourives que fabricaria sua jóia, essa consideração
prática era um parâmetro importante.
Mesmo com poucas e simples
ferramentas, os ourives da antiguidade foram capazes de
produzir fantásticos exemplares de jóias e objetos
decorativos, decoradas com sofisticação e desenhos
intrincados, que resistiram não só ao passar dos
séculos, mas também serviram e servem de inspiração
até hoje a designers e joalheiros de todo o mundo.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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