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AS ABELHAS DE OURO DE CHILDERICO I


Julieta Pedrosa*



O rei da dinastia merovíngia Childerico I (437 – 481) governou os francos sálicos de 457 até a sua morte, sucedendo ao pai, Merovech (ou Meroveu). Estabeleceu como sua capital a cidade de Tournai, cidade atualmente na Bélgica, em terras que recebeu dos romanos, então aliados.

Sua tumba foi descoberta em 1653 por um operário maçom que fazia reparos na igreja de São Brício, em Tournai. Numerosos objetos preciosos em ouro foram encontrados, incluindo uma espada ricamente ornamentada, braceletes, broches decorados com esmaltação cloisonné e granadas, moedas, uma cabeça de touro e um anel com a inscrição “CHILDERICI REGIS” (rei Childerico), o que possibilitou a identificação da tumba. Mas, de tudo, o mais interessante foi a descoberta de 300 abelhas ornamentais em ouro.

Primeiramente, o tesouro de Childerico I foi enviado para Viena, pelo então governador, o arquiduque Leopoldo Guilherme de Habsburgo. Com a morte de Leopoldo Guilherme, o tesouro tornou-se propriedade do imperador austríaco, Leopoldo I. Em 1665, o tesouro foi dado de presente ao rei francês, Luís XIV, que não se impressionou muito e o guardou na Biblioteca Real, atual Biblioteca Nacional da França.

abelha de ouroMuitos anos depois, Napoleão Bonaparte, ao procurar alternativas à flor-de-lis, símbolo heráldico dos Bourbons retirados do trono com a Revolução Francesa, interessou-se pelas abelhas de ouro e fez delas símbolos do novo império francês. Ao ser sagrado imperador dos franceses em 02 de dezembro de 1804, tinha as abelhas bordadas no seu manto imperial.

 

Na madrugada de 06 de novembro de 1831, o tesouro de Childerico estava entre as muitas jóias roubadas da Biblioteca e posteriormente derretidas. Foram encontrados 80 quilos, aproximadamente, das peças roubadas, escondidas às margens do rio Sena, incluindo duas abelhas intactas.

Apesar do roubo e de várias peças derretidas, ainda hoje podemos ter uma idéia de como era o tesouro de Childerico I: antes de presentear Luís XIV, o imperador Leopoldo I mandou fazer cópias de todos os objetos e vários deles encontram-se hoje no museu de Innsbruck, Áustria.

*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia Básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades do Brasil( Rio de Janeiro, Belo Horizonte São Paulo e Brasília), Portugal (Lisboa e Coimbra), Espanha ( Madrid), França ( Lyon), Itália (Vicenza), Suiça( St Gallen) e China ( Hong Kong), privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras.
e-mail:
julietapedrosa@terra.com.br / julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br