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A HISTÓRIA DA JOALHERIA BRASILEIRA
4ª Parte


Julieta Pedrosa*


O crescente gosto pelo luxo, encorajado por um período de prosperidade, baixos impostos e uma sociedade elitizada surgida com o 'boom' da Revolução Industrial, foi expresso pelas inúmeras jóias guarnecidas somente com diamantes, principalmente depois da descoberta das minas da África do Sul na década de 1860.

Com a produção de diamantes das minas sul-africanas, o Brasil perde, então, o primeiro lugar como produtor mundial de diamantes, mas isto não fez muita diferença na confecção das jóias brasileiras, que continuavam a ser decoradas também com gemas coloridas. Os motivos decorativos principais eram as flores, borboletas, pássaros e a serpente. Ramalhetes compostos por diferentes flores e ramagens eram utilizados como broches para adornar vestidos e cabelos, com um efeito deslumbrante. Também os camafeus enfeitam colares, broches e pulseiras e, por causa da influência da rainha inglesa Vitória - que cedo se tornou viúva, a joalheria de luto tornou-se moda aqui também: broches com mechas de cabelo ou pendentes decorados com motivos fúnebres são usados por quem perdia um ente querido.

Em 1831, D.Pedro I abdica em favor de seu filho, que é então coroado como D.Pedro II. A coroa do segundo Imperador brasileiro reflete a maestria a que chegou a arte da confecção de jóias no Brasil. Feita por Carlos Marin, ourives carioca fornecedor da Casa Imperial, que também confeccionou outras jóias - símbolo do poder imperial brasileiro, como o Globo Imperial, o cetro e o anel da Sagração, a coroa é de grande beleza e as gemas utilizadas na sua decoração são quase todas nacionais, à exceção das pérolas: para a confecção da coroa de D.Pedro II, adornada com 639 brilhantes e 77 pérolas, foram aproveitados os diamantes da coroa de seu pai. Durante o reinado de meio século do segundo imperador brasileiro, o país alcançou maturidade política e cultural. Uma competente administração foi criada de forma a unir o vasto território e a escravidão foi progressivamente eliminada até ser completamente abolida em 1888. Com isto, uma nova onda de imigrantes europeus, vindos de vários países, chega ao Brasil, e a cultura e as artes têm um novo incremento. Devido à influência exercida pelo Imperador sobre a população e as instituições, a transição da Monarquia para a República em 1889 pode ser feita sem derramamento de sangue. Com a República, os novos símbolos do país passaram também a decorar colares, anéis e broches, usados como exaltação do novo status de nacionalidade alcançado.

Com o início do século XX, joalheiros europeus como Cartier e Boucheron adotaram um novo estilo, inspirado no século XVIII, chamado de Belle Èpoque, compondo jóias - onde a delicadeza das guirlandas, das flores estilizadas e da utilização da platina era uma reação à banalidade das jóias recobertas de diamantes. Por volta da mesma época, os joalheiros da corrente Art Nouveau, liderados por René Lalique, criaram furor na Exposição de Paris de 1900, com designs inspirados na natureza e executados em materiais como marfim e chifres de animais, escolhidos mais pela sua qualidade estética do que por seu valor intrínseco. Como não eram jóias práticas para uso, o estilo rapidamente desapareceu com o início da Primeira Guerra Mundial e por isso não influenciou significativamente o design das jóias brasileiras.



*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br