O crescente
gosto pelo luxo, encorajado por um período de prosperidade,
baixos impostos e uma sociedade elitizada surgida com o 'boom' da
Revolução Industrial, foi expresso pelas inúmeras
jóias guarnecidas somente com diamantes, principalmente depois
da descoberta das minas da África do Sul na década de
1860.
Com
a produção de diamantes das minas sul-africanas, o Brasil
perde, então, o primeiro lugar como produtor mundial de diamantes,
mas isto não fez muita diferença na confecção
das jóias brasileiras, que continuavam a ser decoradas também
com gemas coloridas. Os motivos decorativos principais eram as flores,
borboletas, pássaros e a serpente. Ramalhetes compostos por
diferentes flores e ramagens eram utilizados como broches para adornar
vestidos e cabelos, com um efeito deslumbrante. Também os camafeus
enfeitam colares, broches e pulseiras e, por causa da influência
da rainha inglesa Vitória - que cedo se tornou viúva,
a joalheria de luto tornou-se moda aqui também: broches com
mechas de cabelo ou pendentes decorados com motivos fúnebres
são usados por quem perdia um ente querido.
Em 1831,
D.Pedro I abdica em favor de seu filho, que é então
coroado como D.Pedro II. A coroa do segundo Imperador brasileiro reflete
a maestria a que chegou a arte da confecção de jóias
no Brasil. Feita por Carlos Marin, ourives carioca fornecedor da Casa
Imperial, que também confeccionou outras jóias - símbolo
do poder imperial brasileiro, como o Globo Imperial, o cetro e o anel
da Sagração, a coroa é de grande beleza e as
gemas utilizadas na sua decoração são quase todas
nacionais, à exceção das pérolas: para
a confecção da coroa de D.Pedro II, adornada com 639
brilhantes e 77 pérolas, foram aproveitados os diamantes da
coroa de seu pai. Durante o reinado de meio século do segundo
imperador brasileiro, o país alcançou maturidade política
e cultural. Uma competente administração foi criada
de forma a unir o vasto território e a escravidão foi
progressivamente eliminada até ser completamente abolida em
1888. Com isto, uma nova onda de imigrantes europeus, vindos de vários
países, chega ao Brasil, e a cultura e as artes têm um
novo incremento. Devido à influência exercida pelo Imperador
sobre a população e as instituições, a
transição da Monarquia para a República em 1889
pode ser feita sem derramamento de sangue. Com a República,
os novos símbolos do país passaram também a decorar
colares, anéis e broches, usados como exaltação
do novo status de nacionalidade alcançado.
Com
o início do século XX, joalheiros europeus como Cartier
e Boucheron adotaram um novo estilo, inspirado no século XVIII,
chamado de Belle Èpoque, compondo jóias - onde a delicadeza
das guirlandas, das flores estilizadas e da utilização
da platina era uma reação à banalidade das jóias
recobertas de diamantes. Por volta da mesma época, os joalheiros
da corrente Art Nouveau, liderados por René Lalique, criaram
furor na Exposição de Paris de 1900, com designs inspirados
na natureza e executados em materiais como marfim e chifres de animais,
escolhidos mais pela sua qualidade estética do que por seu
valor intrínseco. Como não eram jóias práticas
para uso, o estilo rapidamente desapareceu com o início da
Primeira Guerra Mundial e por isso não influenciou significativamente
o design das jóias brasileiras.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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