A
indústria joalheira pode melhorar seus índices de
produtividade em diversos níveis com a utilização
de recursos tecnológicos mais avançados atualmente
disponíveis. Os sistemas de projeto e manufatura assistidos
por computador - CAD-CAM (computer aided design-computer aided
manufacturing) - são compostos de softwares de modelamento
tridimensional e hardwares que interpretam estes modelos, produzindo
de forma rápida e precisa um sólido tridimensional
(MIRANDA, 2003). Embora essa tecnologia já seja amplamente
utilizada nas indústrias metal-mecãnica e de plásticos,
pela sua grande escala de produção, é recente
o interesse da indústria joalheira em relação
à prototipagem rápida, surgido após seu relativo
barateamento.
Existem no
mercado alguns programas computacionais que incluem pacotes específicos
voltados para a construção virtual de anéis,
brincos e pulseiras, pois fornecem um conjunto preconcebido de
formas e seções de aros, caixas para cravação
e modelos básicos de lapidação. Softwares
como o 3DMax Studio, JewelCad, Rhinoceros e seus plugins, dentre
outros, têm sido cada vez mais utilizados no design de jóias.
Por promover a visualização do objeto em três
dimensões, essas ferramentas eliminam os erros do desenho
e possibilitam construir geometrias precisas e mais complexas.
Talvez seu
maior benefício seja eliminar o risco de descaracterização
do projeto original que pode ocorrer na forma tradicional de produção
de uma jóia, com as interferências feitas ao longo
do processo pelo modelista, ourives, cravador ou mesmo pelo dono
da indústria (TEIXEIRA, 2001).
Ao fornecer
ao designer as ferramentas necessárias para projetar e
construir o protótipo tridimensional de uma jóia,
o sistema CAD-CAM promove um salto tecnológico sem precedentes
no design de jóias.
Para o setor
de lapidação de gemas também já existem
aplicações CAD-CAM, embora seja uma tecnologia ainda
em desenvolvimento, com poucos softwares específicos e
equipamentos automatizados insensíveis às sutilezas
do polimento.
Cabe ressaltar
que na indústria de lapidação de diamantes,
mais avançada em todos os aspectos, é comum a utilização
de equipamentos computadorizados. Alguns equipamentos de uso cotidiano
nessa indústria são scanners tridimensionais que
capturam a geometria de uma gema bruta e posicionam internamente
um sólido na forma da gema lapidada, buscando o melhor
aproveitamento possível. As máquinas atuais de lapidação
de diamantes também contam com um sistema de medição
de rugosidade de superfície que verifica a qualidade do
polimento por meio de um sensor acoplado.
Essa tecnologia
ainda não é aplicada para a lapidação
de gemas coradas. Nessa indústria, a principal tecnologia
disponível atualmente são os programas computacionais
de auxílio ao projeto (CAD) que permitem simular a lapidação
e quantificar seus resultados. Com a utilização
de um conjunto de softwares é possível recriar o
processo de facetamento, medir as interações da
luz com a gema facetada virtualmente e representar uma gema lapidada
com hiper-realismo.
O processo
de lapidação mais aplicável às gemas
de maior valor é o facetamento, que gera sólidos
na forma de poliedros com quantidade e disposição
determinada de facetas. Esse processo pode ser totalmente reproduzido
no computador, inclusive com facetamento negativo ou “côncavo”.

Fig 1: Facetamento de gema virtual
A geometria
da gema lapidada controla a forma como os feixes de luz se comportam
na sua interação com esta gema. A alteração
dessa geometria, por sua vez, gera diferentes comportamentos da
luz no interior da gema, resultando em gemas de maior ou menor
brilho, cor e “fogo”.

Comportamento da luz a partir da alteração
dos ângulos de corte
da coroa (ou ‘frente”, porção superior
da gema)
O estudo do
problema da interação da luz com a gema na forma
de um poliedro permite entender as diferentes possibilidades obtidas
com as diversas técnicas de lapidação. As
ferramentas tecnológicas e os recursos computacionais aplicados
aos projetos permitem adequar essas técnicas às
diferentes gemas existentes, gerando modelos específicos
de lapidação. Dessa forma é possível
antecipar o aspecto final do produto, com economia de tempo e
sem os riscos de perda de material.

Simulação de gema lapidada (Render Prof. Henrique
Lana)
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
MIRANDA, P.
Aspectos Tecnológicos. In Design de Jóias: novas
possibilidades formais, técnicas e tecnológicas
no desenvolvimento de linhas de produtos – (Projeto de pesquisa)
Projeto RECOPE: Rede cooperativa entre UEMG–UFMG–FIEMG/SENAI-AJOMIG.
2004.
TEIXEIRA,
M. B. S. Os Objetos Intermediários da Concepção
na Construção Coletiva da Identidade do Produto
Joalheiro (dissertação de mestrado em Engenharia
de Produção) UFMG. 2002.
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