A história cheia de aventuras do
diamante Regente foi feita com os mesmos ingredientes de
um romance policial folhetinesco: cobiça, roubo,
assassinato, remorso, suicídio, tramas políticas,
tragédias particulares e até mesmo uma guerra mundial
acompanham a gema ao longo de toda a sua história, desde
o primeiro capítulo até ao último, onde então o
famoso diamante finalmente encontrou seu descanso.
Originalmente
conhecido como O Pitt, esta gema de 410
quilates foi um dos últimos grandes diamantes a serem
encontrados na Índia. A história do Regente nos conta
que ele foi encontrado por um escravo nas minas Parteal,
perto do rio Kistnna, em 1701. O escravo roubou a gema
colocando-a entre as bandagens que cobriam um ferimento
auto- infligido na perna e fugiu para a costa. Lá,
contou seu segredo para um capitão de navio inglês,
oferecendo a este metade do valor da gema se ele o
levasse em segurança para outro país. Mas durante a
viagem para Bombaim, a cobiça fez com que capitão
assassinasse o escravo e tomasse posse do diamante.
Depois de vender a gema para um negociante de diamantes
indiano chamado Jamchund, o capitão gastou tudo com
mulheres, jogo e bebidas e, num momento de remorso,
enforcou-se.
Em 1702, o negociante Jamchund
vendeu a gema para o governador inglês de Madras, Thomas
Pitt, o qual enviou o diamante para a Inglaterra para ser
lapidado em brilhante, ficando assim a gema com 140,50
quilates (32mm × 34mm × 25mm). A lapidação demorou
dois anos para ser completada e do diamante bruto
inicial, após a lapidação surgiram também gemas
menores, lapidadas em rosa e que foram posteriormente
vendidas ao czar Pedro, o Grande da Rússia. A gema
principal, que contém uma pequena imperfeição, é
considerada nos dias de hoje como um dos mais bonitos e
perfeitos dos grandes diamantes existentes.
Em
1717, a gema foi vendida a Felipe II, Duque de Orleans,
então Regente da França. Desde então, o diamante
passou a ser conhecido pelo nome de Regente. Na
coroação de Luís XIV, em 1723, o Regente era a gema
principal da coroa usada pelo novo rei na cerimônia.
Mais tarde, for retirado da coroa e passou a ser usado
como adorno de cabelo pela rainha Maria Leczinska. Duas
gerações depois, as jóias da Coroa Francesa adornavam
membros da família real em diferentes composições de
adornos pessoais: Maria Antonieta usou o Regente para
enfeitar um grande chapéu de veludo negro.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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