Apesar da joalheria
bizantina representar, de início, uma continuidade do
design e das técnicas romanas de confecção de jóias,
principalmente e a partir do século IV, surgiram
mudanças e adaptações aos novos gosto e cultura
dominantes. De início rejeitando o peso do ouro
porém, ao longo dos séculos, nas ocasiões em
que o império foi forte e rico, nota-se uma preferência
por jóias mais pesadas, confeccionadas em ouro sólido -
e preferindo delicadas folhas de ouro, os ourives
bizantinos criaram uma delicada arte embelezada por gemas
que, se tinha por base a tradição do design romano, o
suplantou em sofisticação e refinamento.
Do início ao fim do
império bizantino, as jóias eram extremamente
valorizadas. Consideradas um sinal de prosperidade
econômica, as jóias adornavam pescoços, cabelos,
orelhas, cinturas, anéis, roupas e sapatos.
A pérola e as demais
gemas como a esmeralda, a safira, o rubi, o diamante e o
lápis-lazúli, trazidas por mercadores de regiões como
o golfo pérsico, Ásia, África e de países como o
Ceilão, assim como a pasta de vidro e os esmaltes,
decoravam jóias ricas em detalhes e cujo brilho servia
para mostrar a opulência de quem a portava.
Dentre as peças de
joalharia, o bracelete era o preferido pelas
aristocráticas damas bizantinas. Consistia em um
delicado e curvo cilindro de ouro, sólido ou vazado, que
podia ser plano ou com apliques elaborados; com desenhos
estampados na superfície ou com cenas de cunho religioso
retratadas em repoussé, dentre outras
incontáveis técnicas, e eram invariavelmente decorados
com gemas. Os brincos eram também muito utilizados pelas
mulheres bizantinas e podiam variar de simples discos de
ouro, para as menos afortunadas, até intrincadas e
grandes peças que retratavam figuras de santos.
Os colares portados por
membros da corte bizantina eram feitos com correntes de
ouro em intrincados entrelaces, discos de ouro em open-work
e gemas lapidadas em contas, e moedas com a efígie do
imperador reinante também serviam como elemento
decorativo.
Os cintos, fivelas e
broches eram uma predileção de ambos os sexos e eram
fantasticamente decorados em diferentes técnicas e
adornados também com gemas.
Os amuletos - herança
romana - continuavam a ser portados, mas a cruz cristã
passou a ser o símbolo preferido para a proteção,
normalmente usado como pendente por crianças, soldados e
mulheres.
A grande predileção
pelas jóias e adornos pessoais era uma característica
da sociedade bizantina e os ourives também trabalhavam
metais mais baratos como o bronze e utilizavam o vidro em
lugar da gema para confecionar peças que iriam adornar o
braço de uma humilde serva da corte ou a cintura de uma
mulher do povo e que seriam sepultadas com elas.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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