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JOALHERIA BIZANTINA



Julieta Pedrosa*


Apesar da joalheria bizantina representar, de início, uma continuidade do design e das técnicas romanas de confecção de jóias, principalmente e a partir do século IV, surgiram mudanças e adaptações aos novos gosto e cultura dominantes.

De início rejeitando o peso do ouro – porém, ao longo dos séculos, nas ocasiões em que o império foi forte e rico, nota-se uma preferência por jóias mais pesadas, confeccionadas em ouro sólido - e preferindo delicadas folhas de ouro, os ourives bizantinos criaram uma delicada arte embelezada por gemas que, se tinha por base a tradição do design romano, o suplantou em sofisticação e refinamento.

Do início ao fim do império bizantino, as jóias eram extremamente valorizadas. Consideradas um sinal de prosperidade econômica, as jóias adornavam pescoços, cabelos, orelhas, cinturas, anéis, roupas e sapatos.

A pérola e as demais gemas como a esmeralda, a safira, o rubi, o diamante e o lápis-lazúli, trazidas por mercadores de regiões como o golfo pérsico, Ásia, África e de países como o Ceilão, assim como a pasta de vidro e os esmaltes, decoravam jóias ricas em detalhes e cujo brilho servia para mostrar a opulência de quem a portava.

Dentre as peças de joalharia, o bracelete era o preferido pelas aristocráticas damas bizantinas. Consistia em um delicado e curvo cilindro de ouro, sólido ou vazado, que podia ser plano ou com apliques elaborados; com desenhos estampados na superfície ou com cenas de cunho religioso retratadas em repoussé, dentre outras incontáveis técnicas, e eram invariavelmente decorados com gemas. Os brincos eram também muito utilizados pelas mulheres bizantinas e podiam variar de simples discos de ouro, para as menos afortunadas, até intrincadas e grandes peças que retratavam figuras de santos.

Os colares portados por membros da corte bizantina eram feitos com correntes de ouro em intrincados entrelaces, discos de ouro em open-work e gemas lapidadas em contas, e moedas com a efígie do imperador reinante também serviam como elemento decorativo.

Os cintos, fivelas e broches eram uma predileção de ambos os sexos e eram fantasticamente decorados em diferentes técnicas e adornados também com gemas.

Cinto bizantino

Os amuletos - herança romana - continuavam a ser portados, mas a cruz cristã passou a ser o símbolo preferido para a proteção, normalmente usado como pendente por crianças, soldados e mulheres.

A grande predileção pelas jóias e adornos pessoais era uma característica da sociedade bizantina e os ourives também trabalhavam metais mais baratos como o bronze e utilizavam o vidro em lugar da gema para confecionar peças que iriam adornar o braço de uma humilde serva da corte ou a cintura de uma mulher do povo e que seriam sepultadas com elas.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br