O cemitério micênico de Aidonia, perto de Nemea, Grécia,
foi escavado pelo Serviço Arqueológico da Grécia
entre 1978-80 e mais tarde, em 1986. Infelizmente, durante as escavações
foi constatado que mais de dez das 18 tumbas do cemitério haviam
sido saqueadas e que este era um fato relativamente recente. Ainda
assim, os arqueólogos encontraram mais de duas centenas de
ânforas e esculturas, assim como a evidência de cavalos
sacrificados como oferenda. Os mais interessantes ornamentos do início
do período micênico (séc. XVI AC), juntamente
com outros objetos de valor e prestígio, foram encontrados
nestas tumbas reais, onde membros das famílias reais eram enterrados.
Diademas e faixas decoradas para a cabeça, ornamentos para
vestimentas, braceletes confeccionados em folhas de ouro com decoração
em baixo-relevo, alfinetes elaborados, brincos e anéis, além
de colares em contas de âmbar fazem parte dos objetos encontrados
nestas tumbas e que por sorte escaparam aos saqueadores.
A
ourivesaria ocupava um considerável espaço nas artes
da Grécia micênica. Assim como outras manifestações
artísticas que se nutriram de uma civilização
mais antiga, também a joalheria micênica inspirou-se
profundamente na tradição e nas artes da civilização
minoana. Mas o ouro, para os micênicos, tinha uma importância
bem mais elevada do que para os minoanos.
Nos séculos
XV e XIV AC a produção de jóias sofreu um incremento
e técnicas mais sofisticadas foram desenvolvidas, como a filigrana,
a granulação e a esmaltação. Os ornamentos
típicos deste período são as contas em ouro decoradas
e os pendentes, que eram confeccionados em formas conhecidas e apreciados
desde os minoanos, assim como flores estilizadas, espirais e cordas
retorcidas. De início, eram feitos de uma folha de ouro trabalhada
em matriz e decorados com granulação e esmaltes. Mais
tarde, a partir do século XIII AC, faiança e vidros
nas cores branca e azul foram usados para substituir o ouro na moldagem
das contas. Os artesãos micênicos também confeccionavam
lindas contas de gemas como a ágata, a ametista, o lápis-lazúli
e o cristal-de-rocha. O anel era bastante popular, de confecção
bastante elaborada e geralmente oval no topo. Esta forma vinha da
tradição minoana. O topo oval dos anéis tinha
quase sempre um engaste de gemas ou vidros, cenas gravadas em padrão
de selo ou era decorado com granulação e filigrana.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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