No outono europeu de
1792, Paul Miette, famoso bandido francês ora em
liberdade, admira as jóias e os tesouros da França, sem
se importar em ser interrogado ou preso. Desde 1791,
crêem os responsáveis pela guarda dos valiosos objetos
que estes estão completamente seguros no edifício
chamado de Garde-meuble, atualmente sede do
Ministério da Marinha Francesa, e situado na Place de
la Concorde, em Paris. Neste edifício de bela
arquitetura estavam coleções de gemas raras, jóias
fantásticas, armaduras de reis e príncipes, tapeçarias
e móveis, tudo de um valor inestimável e guardado no
que era considerado um cofre-forte. Mas na noite do dia 11 de
setembro de 1792, por volta das 23 horas, dois bandos se
encontram em frente ao Garde-meuble: um é
liderado por Miette e outro, por Depeyron, seu
companheiro de roubos. Depois de acertados alguns
detalhes de última hora, os dois líderes começam a
escalar o edifício até o primeiro andar, seguidos pelos
outros ladrões. Retiram com precisão de profissionais
os vidros de uma janela e entram. No interior do prédio,
quebram vitrines e enchem os bolsos com jóias. Nesta
noite, não tocam nas coleções de gemas.
Nas noites seguintes, e sem que
ninguém notasse os roubos, os ladrões voltaram com a
mesma determinação: à luz de velas, arrombam uma
cômoda contendo uma grande quantidade de gemas,
inclusive os célebres diamantes Sancy, de
Guise e Hortense, e 82 rubis orientais
raríssimos. Dentre os rubis roubados, estava um com 24
quilates, descrito na ficha do catálogo da coleção
como "um grande rubi do oriente, de cor rosa
intenso, pesando 22¾ quilates". Alguns dos rubis
roubados foram deixados pelos ladrões na pressa em
dividir o produto do roubo às margens do rio Sena, sendo
então recuperados.
Muitas foram as jóias
roubadas por Miette e seu bando. A maioria delas
simplesmente sumiu, para jamais ser recuperada pelo
governo francês. Porém algumas foram mais tarde
encontradas. Dentre estas estavam o belísssimo diamante
rosa Hortense e a grande safira de Luís
XIV, considerada até o século XIX como a mais bela
safira do mundo. Esta safira, de cor e pureza
magníficas, provinha do antigo Ceilão (atual Sri-lanka)
e chegou à Europa pelas mãos de mercadores venezianos.
Monsieur Perret, marchand francês com trânsito na corte
de Luís XIV, apresentoua ao Rei Sol,
que não titubeou em comprá-la imediatamente.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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