Assim como o manuscrito de uma
pessoa é o reflexo da sua personalidade, a marca de uma
empresa é a definição resumida daquilo que ela é,
devendo ser entendida como a assinatura empresarial dela.
A preocupação estética, em outras palavras, o cuidado
que uma empresa tem com sua apresentação visual, é
traduzida como uma extensão da qualidade dos produtos e
dos serviços por ela oferecidos.
Ao revirarmos nossos baús, podemos encontrar cartas,
redações e bilhetes antigos escritos por nós de
maneiras distintas em diferentes épocas de nossas vidas.
A escrita que desenhávamos no primário, por exemplo,
já não era a mesma que esnobávamos no ginásio, que
por sua vez pode não ser a que utilizamos até hoje.
Isso é normal e significa que passamos por várias
fases, vencemos algumas etapas e, por fim, evoluímos.
Com uma empresa acontece a mesma coisa.
Analisando a trajetória de uma empresa, notamos que ela
foi criada e, de uma forma ou outra, cresceu e evoluiu.
Esta evolução pode ser observada não apenas pelo
número de vendas, de empregados, de lojas ou sedes, mas
também, e é aí que eu quero chegar, pela evolução de
sua marca, de suas embalagens, pelo design de seus
produtos, ou seja, por toda sua preocupação estética.
O processo de evolução das empresas, apesar de ser
natural, é conflitante. Pode ser comparado à
passagem da infância para a adolescência e desta para a
idade adulta, o que quer dizer, bastante dolorida em
certos momentos. É por isso que, apesar de sentirem as
necessidades por mudanças de uma forma bastante clara,
muitas empresas temem mudar para crescer. Esperam por
momentos históricos e ficam estáticas com medo do
futuro. Justificam-se dizendo terem receio da não
compreensão de seus públicos. Na verdade, têm um
profundo apego sentimental às suas identidades antigas,
não aceitando mudanças.
O engraçado é que
historicamente as mudanças em si, quando bem criadas,
desenvolvidas e aplicadas, não têm mais volta.
Apesar de ser sofrido crescer, ninguém deseja realmente
voltar a ser criança. Trabalhando diariamente com
projetos a várias empresas, sigo descobrindo como reagem
às mudanças.
Quando uma empresa conquista uma
nova etapa em sua evolução, seja através de uma nova
logomarca, de uma nova embalagem, ou de um reestudo em
sua identidade visual, a primeira reação dela é
estranhar a mudança, a segunda é se acostumar com ela e
a terceira é ter certeza de que é impossível voltar
atrás.
Por isto, não tenha medo do
novo, do criativo, do diferente, do conceitual. Esta é
uma viagem que vai além do infinito. Alguém já
imaginou uma instituição como o Bradesco abandonar sua
logomarca atual e voltar a utilizar o seu logotipo
antigo, aquele que hoje ninguém se lembra mais como era?
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