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O TESOURO DE TANIS
continuação...


Julieta Pedrosa*


Depois que tudo foi retirado da tumba de Osorkon II, outra tumba, intacta, foi encontrada. Os hieróglifos mencionavam ser a tumba de Psusennes I, da 21ª dinastia. No chão da primeira sala descoberta estava um sarcófago de prata pura decorado com uma cabeça de falcão. No dia 21 de abril do mesmo ano, o rei Faruk do Egito chega para ver a abertura do sarcófago e é recompensado com a visão de uma máscara em ouro e belas peças de joalheria. Mas a abertura do sarcófago reservou uma surpresa: não era a múmia de Psusennes que ali se encontrava e sim a de um rei anterior, Sheshonq II. Com seus sarcófagos em prata e suas jóias rivalizando em beleza as de Tutankamon, teve-se a certeza de que estes faraós governantes da região norte do Egito eram reis poderosos.

Montet encontrou intacto o sarcófago de Sheshonq II, mas as inscrições nas paredes diziam que a tumba tinha sido construída para Psusennes. Onde estava, então, o sarcófago de Psusennes? Em setembro de 1939, a Alemanha invade a Polônia e, ato político contínuo, França e Inglaterra declaram guerra a Hitler, mas Montet e sua equipe continuam escavando. Em 15 de fevereiro de 1940, Montet chega a um corredor cujo final estava selado por uma imensa peça de granito e que testes arqueológicos revelaram ser parte do obelisco de Ramsés II. Durante seis dias trabalhou-se na peça de granito, até que finalmente Montet pode entrar na sala. Dentro do cômodo, foram encontrados objetos em ouro e prata, ushabtis, e o sarcófago intacto em granito rosa do faraó Psusennes. A face da múmia estava coberta com uma espetacular máscara de ouro e seu corpo continha tantas jóias quanto às encontradas no corpo de Tutankamon.

O tesouro de Tutankamon pode ser maior, mas Montet encontrou três tumbas reais intactas, um feito nunca igualado. E as jóias do tesouro de Tanis equiparam-se em beleza e esplendor com as do tesouro de Tutankamon. Ambos os tesouros encontram-se no Museu Egípcio do Cairo.

 


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br