A Ordem
da Jarreteira é a mais alta e mais antiga comenda britânica
e foi instituída pelo rei inglês Eduardo III em 1348.
Ao criar a Ordem, composta pela pessoa do rei e por 25 cavaleiros,
Eduardo III quis premiar e reconhecer os que se destacavam pela lealdade
à Coroa e pelo mérito militar. Os primeiros a serem
condecorados pelo rei com a Ordem da Jarreteira, além do seu
próprio filho o príncipe de Gales (também conhecido
na História pela alcunha de Príncipe Negro, devido à
cor da sua armadura de batalha e ao seu valor militar), foram os cavaleiros
que serviram nas campanhas inglesas em território francês,
especialmente durante a famosa Batalha de Crécy, campanhas
que iniciaram o conflito medieval entre Inglaterra e França
que seria conhecido mais tarde como a Guerra dos Cem Anos e que foram
motivadas pela reivindicação de Eduardo ao trono da
França. Todos os primeiros cavaleiros agraciados tinham idades
que variavam dos 17 aos pouco mais de 30 anos.
Conta a História sobre a origem romântica da Ordem, uma
jarreteira (ou liga) azul. O
rei Eduardo III, coroado aos 14 anos, era filho de
uma princesa francesa de nome Isabelle, mais tarde rainha da Inglaterra,
com o rei inglês Eduardo II. Casou-se muito cedo, também
aos 14 anos, com seu primeiro amor, a belga Phillippa de Hainault,
a quem era muito devotado e com quem teve 13 filhos. Mas após
anos de fidelidade no casamento, e já com uma esposa não
muito atraente devido aos inúmeros partos, Eduardo III se apaixona
por uma bela mulher casada, Joan, então condessa de Salisbury.
Apesar de tentar várias vezes iniciar um romance com a condessa,
que já estava no seu segundo casamento, o rei Eduardo via-se
frustrado em todas as suas tentativas, mas continuava obstinadamente
apaixonado por Joan.
Então,
durante um banquete festivo em Calais, onde os ingleses celebravam
sua conquista sobre a cidade francesa, o rei Eduardo III pede que
a condessa o acompanhe numa dança. A contragosto, Joan aceita
o pedido irrecusável do rei, e começam a dançar
na frente de toda a Corte e da rainha Phillippa, que estava presente.
No meio da dança, uma das ligas que seguravam as meias de Joan
se desata e cai no chão. Imediatamente, e para espanto de todos,
o rei recolhe a liga azul do chão e a amarra abaixo do seu
joelho esquerdo. Ante os murmúrios baixos de damas e cavalheiros
presentes, Eduardo III pronuncia a frase que se tornaria mais tarde
o lema da Ordem: “Honi Soit Quit Mal Y Pense” (maldito
seja quem pensar mal).
A
comenda da Ordem da Jarreteira é formada
atualmente (durante os séculos foram feitas modificações
no design inicial) por uma fita de veludo azul-escuro decorada
com diamantes em lapidação brilhante (onde se pode
ler o lema da Ordem) e por um broche em forma de estrela feito
em ouro, que deve ser usado no lado esquerdo do peito, e decorado
com diamantes, rubis e esmalte azul. |
O rei
não conseguiu o coração de Joan, mas seu filho,
o Príncipe Negro, sim. Mulher de beleza notável, Joan
era dona de uma história afetiva conturbada. Seu primeiro casamento
com o nobre Thomas Holland, realizado secretamente, foi considerado
nulo por sua própria família e pelo rei na ausência
de Holland, que viajara para a Prússia em busca de honras militares.
Após a anulação, Joan é obrigada a se
casar com William Montague, futuro conde de Salisbury e um dos amigos
mais próximos do rei. Mas seu primeiro marido, ao voltar da
Prússia, pede a anulação deste segundo casamento
ao Papa e Joan apóia o seu gesto, sendo por isso encarcerada
num castelo pelo seu segundo marido, que só a liberta ao receber
uma ordem papal. Thomas Holland, agora duque de Kent, e Joan voltam
então a serem casados. Com a morte do duque e já com
a fama de maior dama da cavalaria medieval, devido ao episódio
da liga azul, Joan se casa com o Príncipe Negro, apaixonado
por ela desde muitos anos e também envolto, devido às
suas ações em batalha, em uma aura de herói da
cavalaria. Joan torna-se mais tarde, com a morte do príncipe
de Gales - que morre antes de seu pai, o rei Eduardo III - mãe
do rei Ricardo II.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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