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ASPECTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS
DAS JÓIAS NA IDADE MÉDIA
Parte II


Julieta Pedrosa*


No século XIV a importância das gemas valiosas era tão significativa, que algumas recebiam nomes próprios: Jean, Duque de Berry (1340-1416), possuía o "Grande Balas de Veneza" (comprado de Valentina Visconti em 1407), o "Balas de Orange" (comprado em 1408 de dois mercadores franceses), o "Balas de David", o "Rubi de Gloucester", o "Rubi de Apulia", o "Rubi da Montanha" (comprado em 1405), o "Rubi de Berry" (comprado em 1408) e o "Rei dos Rubis" (comprado para presentear seu sobrinho João Sem Medo, Duque da Burgúndia), entre várias outras gemas de imenso valor. Sendo uma prática comum entre famílias nobres principalmente, a oferta como presente ou em forma de dote tornava algumas gemas e jóias não só muito apreciadas por sua beleza ou valor mas também por suas associações familiares ou de Estado.

A aquisição e a posse de gemas preciosas eram assunto de grande interesse e satisfação dos nobres medievais, assim como os provia com um tesouro que podia ser utilizado para aumentar ainda mais a magnificência de suas roupas, jóias e baixelas. Algumas vezes, jóias individuais ou coleções de jóias eram vendidas por seus nobres possuidores para outros grandes personagens. Uma troca de jóias entre cortes distantes era um procedimento comum entre governantes. Em muitas ocasiões, frequentes durante o período medieval, jóias que tinham sido possuídas por nobres, homens e mulheres, eram deixadas em testamento para a Igreja e acabavam como parte do tesouro eclesiástico ou como parte da decoração de uma capela ou igreja. Era um procedimento muito comum oferecer-se jóias como pias doações a igrejas e santuários .

A oferta de jóias como presente a uma noiva quando do seu noivado, e depois quando da ocasião do seu casamento, era um conhecido costume social praticado por todas as classes sociais da Europa ocidental medieval. Em vários países era esperado que a família da noiva ou o noivo a presenteasse com ornamentos decorados com jóias em honra do seu novo status social de mulher casada. O noivo também oferecia a sua pretendente alguma jóia de significado sentimental especial, em geral um anel ou um broche.

Entre as classes mais abastadas, não existia nenhuma situação social em que dois amantes secretos pudessem presentear um ao outro com jóias livremente, ou mesmo usá-las abertamente (se recebidas em segredo como presente, o que acontecia com freqüência). No código da cavalaria cortês, o amante tinha o dever e a conseqüente necessidade de esconder sua afeição sob linguagem e símbolos enigmáticos, para não expor sua dama ao escândalo e à desonra. No século XIV, surge a solução para o problema: o cavaleiro escondia através de uma imagem - uma flor ou pássaro – o objeto do seu culto, enquanto imaginava , através das atitudes de sua amada, se o objeto oferecido era recebido e usado, ou rejeitado. Estas atitudes significavam que a dama (em geral, casada ou seriamente comprometida) aceitava, ou não, a afeição do seu admirador.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br