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O PALÁCIO DAS GEMAS DE JAIPUR


Julieta Pedrosa*


É em Jaipur que se encontra a famosa meenakari, especialíssima técnica de esmaltação artesanal, feita na tradição do design indiano kundam.

Marajás de toda a Índia encomendavam suas jóias mais requintadas e objetos de arte mais preciosos aos artífices joalheiros da família Kasliwal, que trabalhava para os marajás de Jaipur desde o século XVIII. Hoje em dia, milionários, integrantes da nobreza européia, celebridades e presidentes de vários países encomendam ou recebem de presente jóias confeccionadas pelos descendentes dos primeiros Kasliwal que chegaram a Jaipur, vindos de Agra, para trabalhar para o marajá Jai Singh II, em meados do século XVIII. Quase um século mais tarde, em 1852, a família fundou o Gem Palace, misto de escola, oficina de ourivesaria, loja e museu, que permanece até hoje como referência da joalheria indiana.

Em 1947, a Índia se tornou uma república e os marajás foram obrigados a passar a pagar impostos. Uma grande maioria viu-se então obrigada a vender vários objetos e jóias de suas preciosas coleções. Desde então, além da confecção de jóias artesanais, o Gem Palace, propriedade da família Kaliswal, vem adquirindo magníficas peças feitas por antepassados da família, transformando-se nos últimos 50 anos em um importante museu.

 

O setor de ourivesaria do Gem Palace reúne alguns dos melhores ourives e artífices joalheiros indianos. Vindas principalmente de Burma, Madagascar e Kênia, espinélios, águas-marinhas, citrinos, ametistas, rubis, esmeraldas, safiras, topázios, peridotos, turmalinas, diamantes ou qualquer outra gema desejada é cravejada em uma peça única. As gemas são lapidadas, polidas e trabalhadas usando-se métodos tradicionais de séculos.

Os artesãos trabalham sentados – e com seus pés descalços - em almofadas perfeitamente brancas e podem passar dias trabalhando em somente uma gema. Assim que a gema deixa o setor de lapidação e refinamento, ela está perfeita para a criação de jóias deslumbrantes, a grande maioria delas decoradas com a técnica meenakari.

Essa técnica foi trazida pelos imperadores Mughal (palavra persa para Mongol) para a Índia, por volta do século XVI e consiste em delicados e intrincados desenhos de flores, pássaros ou peixes gravados no metal de tal forma a permitir o recebimento dos esmaltes. Cada cor de esmalte, em pó, é colocada dentro do espaço desejado e aquecida até se tornar líquida e preencher totalmente o espaço. Depois, faz-se o polimento com ágata. A profundidade dos espaços determina o jogo de luz com as cores. Tal é a perfeição do trabalho que algumas peças demoram dias ou até meses, para serem terminadas.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia Básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades do Brasil( Rio de Janeiro, Belo Horizonte São Paulo e Brasília), Portugal (Lisboa e Coimbra), Espanha ( Madrid), França ( Lyon), Itália (Vicenza), Suiça( St Gallen) e China ( Hong Kong), privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras.
e-mail:
julietapedrosa@terra.com.br / julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br