Os nobres ou assemelhados,
durante praticamente todo o período medieval e em
praticamente toda a Europa, podiam receber jóias de
presente por participação ou vitória em torneios,
assim como por sua iniciação no mundo da cavalaria
galante. Sobre o
uso diário de jóias pelas classes mais elevadas da
sociedade medieval ainda não se sabe o bastante, mas
eram usadas em festins, festivais e festividades -
casamentos, banquetes, danças, torneios e eventos
religiosos onde se celebrava tanto o esplendor
secular quanto a pia devoção. Raríssimas foram as
ocasiões em que reis, rainhas, nobres e cavaleiros
apareceram em público sem estarem ornados por jóias que
simbolizassem o seu status elevado na sociedade assim
como a sua riqueza.
Nos
círculos mais baixos da sociedade medieval o uso de
jóias dividia-se em duas categorias: peças baratas para
serem usadas diariamente e as chamadas "jóias de
festa", para serem usadas em grandes ocasiões. Os
casamentos sem dúvida eram considerados como um grande
momento para se portar o que se tinha de melhor.
Na Idade Média não
existia, basicamente, a distinção entre os sexos na
utilização de jóias: ambos homens e mulheres portavam
colares, anéis, broches, cintos ornados e diademas. A
grande variedade e maior suntuosidade das jóias
femininas dá-se, em parte, pela grande variedade de
jóias para ornamentarem a cabeça e/ou os cabelos, assim
como outros valiosos adereços para as vestimentas, e
parte devido aos diferentes papéis vividos por homens e
mulheres na sociedade medieval. Os homens utilizavam as
jóias para os dias festivos e as mulheres, sempre que
deixavam o lar, as portavam com suntuosidade.
Provavelmente por isso é que a maior parte da
legislação medieval que tratava da fabricação,
comercialização e do uso das jóias, neste último
aspecto tenha se dirigido mais às mulheres.
Existia, no entanto,
mesmo nas questões teórico-legais sobre a utilização
de jóias, diferenças de opinião sobre qual dos dois
sexos deveria portar jóias mais ricamente: uns achavam
que devia ser o homem, já que exercia um poder na
sociedade muito maior que a mulher, com algumas
restrições para a utilização exagerada de jóias;
outros achavam que devia ser a mulher : "...está
mais de acordo que seja a mulher a prender o homem a ela,
pela utilização de seus adornos e atavios, do que o
contrário...", escreveu Konrad von Megenburg
(1309-74). Precauções, porém, como já escrevemos,
deviam existir para evitar-se o excesso de jóias pela
mulher: sermões e escritos religiosos sobre a vaidade e
a ostentação eram constantes.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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