As mulheres vitorianas
usavam jóias não somente como um acessório decorativo,
mas também como um veículo para expressar sentimentos.
Os cabelos, usados nesta época à altura dos joelhos e
considerados um bem inestimável da mulher vitoriana,
passaram também a fazer parte de jóias que expressavam
sentimentos e desejos femininos. Durante anos foi muito
popular a utilização de uma jóia (broche, pendente,
anel ou relógio) contendo uma mecha de cabelos da pessoa
amada, geralmente colocada nas costas da peça. A
corrente para relógio, feita com cabelos femininos, foi
também um adorno extremamente popular. Ao oferecer ao
seu amado uma corrente feita com seus próprios cabelos,
uma dama podia ter a certeza de que povoaria os
pensamentos do cavalheiro várias vezes ao dia.
Braceletes feitos com cabelos infantis eram as jóias
prediletas das mães devotadas, assim como pendentes em
forma de cruz e pares de brincos eram considerados
adoráveis. Os cabelos inicialmente eram enviados a um
profissional, para fazer o trabalho de entrelaçamento
necessário e só então eram enviados ao ourives, para
comporem a jóia pretendida. De tão populares, as jóias
feitas com cabelos estimularam a indústria de jóias,
que tinham à disposição da clientela variados
complementos para confecção de braceletes, broches e
brincos. Para a confecção de colares compridos ou
correntes para relógios, o joalheiro usava pequenos
tubos de ouro para juntar as mechas de cabelos.
Quando o Príncipe
Albert deu à rainha Vitória um anel de noivado em forma
de serpente, iniciou um revival por este antigo
motivo decorativo. A própria Rainha usou várias outras
jóias com design de serpente, incluindo um
bracelete que quase não tirava do pulso. Usar uma jóia
em forma de serpente ou decorada com o design da mesma
era garantia de boa sorte, segundo a crença da época:
damas podiam ser vistas por toda a Londres elegante
portando anéis, braceletes enrolados em volta dos
braços e broches.
De todas as gemas, a
ametista era a favorita do período vitoriano, e era
aceitável utilizá-la em jóias nos últimos estágios
de um luto (severamente observado durante esta época),
onde nenhuma outra gema, à exceção do já mencionado jet,
era sociavelmente aceita como adorno para as jóias.
Por ser uma gema de valor acessível, podia ser usada por
quase todas as classes sociais.
Ao contrário, a opala,
apesar de ser uma das gemas favoritas da Rainha Vitória
(para todas as suas filhas, Vitória deu jóias adornadas
com opalas quando ficaram noivas), tinha fama de trazer
má-sorte a quem aportava. Isto se devia na Inglaterra a
um romance, "Anne de Geurstein". Neste romance,
uma das personagens, Lady Heromine, portava
freqüentemente uma jóia com opala adornando os cabelos,
que parecia que mudava de tonalidade de acordo com seu
humor. E no romance, muito lido à época, a personagem
tem um fim trágico. Isto serviu para acender no
imaginário popular quanto fama de portadora de má
-sorte da gema. Esta se tornou tão difundida que, quando
o Imperador Napoleão III presenteou a Imperatriz
Eugênia com uma parure de opalas, ela
delicadamente a recusou.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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