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A NECESSIDADE DE UM NOVO DESENHO DO SETOR JOALHEIRO



Julio César da Silva*



Assim é necessário mudar em principio o conceito da oficina de jóias para organização, mudar o conceito de criar produtos para desenvolver idéias, mudar o conceito da venda produto para a venda de serviço, e por fim o conceito de mão-de-obra e de consumidor, criando um novo conceito em desenvolver mais as pessoas - e para pessoas inteligentes.

Um outro fator preocupante está na sucessão das empresas, pois ao longo destes 28 anos convivendo com 03 gerações, com o fundador (como ourives), com a 2ª geração (em consultorias) e agora com a 3ª geração atuando nas empresas. Contudo, não são todas as empresas que farão sucessão, e em muitos casos não haverá continuidade, pois o fundador acreditou que seria eternizado e não preparou a empresa

A falta do hábito em lidar com números, por razões de segurança ou fiscalização, onde não se guarda informação para não gerar evidências de nossos resultados, fugindo assim do ladrão e do fiscal, faz com que não se desenvolvam planejamentos estratégicos coerentes, e assim fugimos também do nosso cliente por não ter informações para analisar suas necessidades.

Há forças que hoje atuam sem que as pessoas que acreditam ter o poder possam efetivamente imaginá-las no real cenário. Com o surgimento do "ponto.com" sabemos que algo mudou. Verificamos que em alguns aspectos, a economia deixou de ser contínua para se tornar inesperada. E poucas são as pessoas e as organizações capazes de mudar tão rapidamente como o ambiente ao seu redor, e há muitas ainda que não admitem que este fato está acontecendo.

Toda a cadeia produtiva, do fornecedor à industria (e até o varejo), necessitam urgentemente quebrar paradigmas existentes, representados em uma única frase muito ouvida "de que no setor tal regra não se aplica", a qual escuto há mais de 20 anos e que nos deixa a mercê das marés do mercado.

Temos de evidenciar a nossa competência individual e não apenas a de alguns, para ficarmos sozinhos; temos que valorizar as competências em parcerias para obter resultados a todos, e não transformando indústrias em varejo, e vice-versa. Acabar com o apoio à políticas de entidades, que muitas vezes geram mais ônus às empresas do que resultados, com metas e objetivos mirabolantes, como exemplo a reforma fiscal e tributária, que há mais de 10 anos escutamos irá auxiliar e reformular o setor. Porém, como estamos vendo no andar do Congresso, a mesma nunca sairá do papel. Tudo isso gerado por lobistas executivos, com a mente no passado das estatais e um pé no futuro de um interesse irreal em mudanças, pela simples manutenção de seu status.

Talvez melhor seria mostrar nossa realidade ao governo, pois não consigo mais ver o Brasil (13º/ouro e 25º/jóias) produzindo ouro como uma colônia para abastecer o imperialismo financeiro, e ter dificuldade de comprá-lo, para gerar valor agregado (divisas) ao país na transformação de nossos produtos. Em outra situação, paises como a Itália, que não produzem um só grama do ouro, têm benefícios de toda a grandeza, tornando-os alguns dos maiores produtores de jóias do mundo. Podemos talvez comparar as Capitanias Hereditárias, que demonstravam a subserviência ao Rei, onde a nobreza exploradora entregava seu imposto (ouro) como pagamento e proteção ao feudo, com a real situação do momento atual.

Talvez não adiante continuar fugir de uma reforma fiscal e tributária, pois mais dia ou menos dia vão estar em nossas portas, e com regras diferentes das que conhecemos, e ai sim, não teremos nada e nem o que a oferecer; ao invés disto precisamos sim, e muito, buscar criar um banco de dados reais e formadores de opiniões positivas, para podermos vender mais jóias de ouro com valor agregado, do que entregar ao império nossa parte no imposto feudal econômico que se instalou no mundo.

Um outro ponto, e creio eu ser importante, é a alteração ao modelo de gestão setorial que, iguais aos modelos em todo o mundo, começam a causar sofrimento à humanidade, por uma administração de senzala econômica, que em vez de ser produtiva e geradora de renda, e fomentadora do equilíbrio social, vem depenando a economia, em detrimento da manutenção do poder de poucos abastados.

Apesar dos fatos comporem contra, ainda sou otimista diante dos mesmos, pois a hora é esta, e qualquer participação pró-ativa no setor - de forma mais estratégica do que política -  fará diferença e, provavelmente no futuro, a mesma será lembrada por aqueles que ficaram ao longo do caminho.

Acredito que tenhamos mais que rever teorias como a de Maslow ou como a do pesquisador como Alvin Toffler, no mapeamento das necessidades ao planejamento de novos produtos, ao invés de gurus de marketing, e que identifiquemos realmente como e a quem vamos atender, pois o homem agora é o mais importante, e não apenas o que ele utiliza.

A nova onda é valorizar o pessoal, e nunca foi tão grande o momento para oferecer o que o homem mais quer, qualidade de vida, o "viver feliz".

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*Julio César da Silva é joalheiro modelista (1974/1992), com especialização em Gestão da Qualidade (Programa Brasileiro de Qualidade/Produtividade) na Fundação Carlos Alberto Vanzolini (USP - 1993) e Empreendedorismo e Gerência Pedagógica com ênfase em Joalheria (Scuola D’arte Mestieri di Vicenza-Itália-CNPq\IBGM – 1994); Pós-graduação em Gestão Avançada de Recursos Humanos (Instituto Nacional de Pós-Graduação-2003).
Diretor-presidente da JULIU’S Assessoria Comércio de Modelagem em Cera Ltda. (1995), empresa especializada em Assessoria e Consultoria para empresas joalheiras e no desenvolvimento de Prototipagem de Modelos em Cera e Metais; Coordenador na Implantação do Projeto (1999/2001) AMAGOLD BRASIL – Americas Gold Manufactures Association, onde ocupa atualmente o cargo de Diretor Executivo. Foi Consultor do "World Gold Council (1996/2001) para América Latina", em programas de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias de produção de jóias de ouro; Consultor credenciado ao SEBRAE (1996/2000) para desenvolvimento de Programas para Qualidade Total.
julius.s@terra.com.br