Assim é necessário
mudar em principio o conceito da oficina de jóias para
organização, mudar o conceito de criar produtos para
desenvolver idéias, mudar o conceito da venda produto
para a venda de serviço, e por fim o conceito de
mão-de-obra e de consumidor, criando um novo conceito em
desenvolver mais as pessoas - e para pessoas
inteligentes.
Um outro fator
preocupante está na sucessão das empresas, pois ao
longo destes 28 anos convivendo com 03 gerações, com o
fundador (como ourives), com a 2ª geração (em
consultorias) e agora com a 3ª geração atuando nas
empresas. Contudo, não são todas as empresas que farão
sucessão, e em muitos casos não haverá continuidade,
pois o fundador acreditou que seria eternizado e não
preparou a empresa
A falta do hábito em
lidar com números, por razões de segurança ou
fiscalização, onde não se guarda informação para
não gerar evidências de nossos resultados, fugindo
assim do ladrão e do fiscal, faz com que não se
desenvolvam planejamentos estratégicos coerentes, e
assim fugimos também do nosso cliente por não ter
informações para analisar suas necessidades.
Há forças que hoje
atuam sem que as pessoas que acreditam ter o poder possam
efetivamente imaginá-las no real cenário. Com o
surgimento do "ponto.com" sabemos
que algo mudou. Verificamos que em alguns aspectos, a
economia deixou de ser contínua para se tornar
inesperada. E poucas são as pessoas e as organizações
capazes de mudar tão rapidamente como o ambiente ao seu
redor, e há muitas ainda que não admitem que este
fato está acontecendo.
Toda a cadeia produtiva,
do fornecedor à industria (e até o varejo),
necessitam urgentemente quebrar paradigmas existentes,
representados em uma única frase muito ouvida "de
que no setor tal regra não se aplica", a
qual escuto há mais de 20 anos e que nos deixa a
mercê das marés do mercado.
Temos de evidenciar a
nossa competência individual e não apenas a de alguns,
para ficarmos sozinhos; temos que valorizar as
competências em parcerias para obter resultados a
todos, e não transformando indústrias em varejo, e
vice-versa. Acabar com o apoio à políticas de
entidades, que muitas vezes geram mais ônus às
empresas do que resultados, com metas e
objetivos mirabolantes, como exemplo a reforma
fiscal e tributária, que há mais de 10 anos
escutamos irá auxiliar e reformular o setor. Porém,
como estamos vendo no andar do Congresso, a
mesma nunca sairá do papel. Tudo isso gerado
por lobistas executivos, com a mente no
passado das estatais e um pé no futuro de um
interesse irreal em mudanças, pela
simples manutenção de seu status.
Talvez melhor seria
mostrar nossa realidade ao governo, pois não consigo
mais ver o Brasil (13º/ouro e 25º/jóias) produzindo
ouro como uma colônia para abastecer o imperialismo
financeiro, e ter dificuldade de comprá-lo, para gerar
valor agregado (divisas) ao país na transformação de
nossos produtos. Em outra situação, paises como a
Itália, que não produzem um só grama do ouro, têm
benefícios de toda a grandeza, tornando-os alguns
dos maiores produtores de jóias do mundo. Podemos talvez
comparar as Capitanias Hereditárias, que demonstravam a
subserviência ao Rei, onde a nobreza exploradora
entregava seu imposto (ouro) como pagamento e proteção
ao feudo, com a real situação do momento atual.
Talvez não adiante
continuar fugir de uma reforma fiscal e tributária, pois
mais dia ou menos dia vão estar em nossas portas, e com
regras diferentes das que conhecemos, e ai sim, não
teremos nada e nem o que a oferecer; ao invés disto
precisamos sim, e muito, buscar criar um banco de dados
reais e formadores de opiniões positivas, para podermos
vender mais jóias de ouro com valor agregado, do que
entregar ao império nossa parte no imposto feudal
econômico que se instalou no mundo.
Um outro ponto, e creio
eu ser importante, é a alteração ao modelo de gestão
setorial que, iguais aos modelos em todo o mundo,
começam a causar sofrimento à humanidade, por uma
administração de senzala econômica, que em vez de ser
produtiva e geradora de renda, e fomentadora do
equilíbrio social, vem depenando a economia, em
detrimento da manutenção do poder de poucos abastados.
Apesar dos fatos
comporem contra, ainda sou otimista diante dos mesmos,
pois a hora é esta, e qualquer participação pró-ativa
no setor - de forma mais estratégica do que política -
fará diferença e, provavelmente no futuro, a
mesma será lembrada por aqueles que ficaram ao longo do
caminho.
Acredito que tenhamos
mais que rever teorias como a de Maslow ou como a do
pesquisador como Alvin Toffler, no mapeamento das
necessidades ao planejamento de novos produtos, ao invés
de gurus de marketing, e que identifiquemos realmente
como e a quem vamos atender, pois o homem agora é o mais
importante, e não apenas o que ele utiliza.
A nova onda é valorizar
o pessoal, e nunca foi tão grande o momento para
oferecer o que o homem mais quer, qualidade de vida, o
"viver feliz".
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