As jóias antigas chinesas possuem uma grande variedade de formas
e a maneira como os homens e mulheres as utilizavam se relacionava
diretamente com convenções de etiqueta social e de estética
que demonstravam o dia-a-dia da sociedade chinesa durante os períodos
que compreendem as dinastias Xia (2003 – 1562 AC) e Ming (1368-
1644 BC). As jóias eram usadas para ornamentar cabeça,
orelhas, pescoço, peito, mãos, pés e até
templos e podiam ser feitas em ouro, prata, ferro e bronze. As gemas
preferidas eram o jade e a turquesa.
Na
antiga sociedade imperial chinesa, os penteados e ornamentos de cabeça
determinavam o status social de que os portava. A simetria era de
vital importância para um perfeito adorno capilar - que combinava
o penteado com as jóias escolhidas - e era até mais
considerado do que o próprio valor das jóias em si e,
em geral, o design das peças refletia a arquitetura da época,
que utilizava a repetição de elementos ou grupos de
elementos para conseguir pureza estética e equilíbrio.
Assim, não somente as jóias e o penteado confirmavam
o status social, mas também contribuíam de forma inequívoca
para que a pessoa se tornasse visualmente um perfeito sistema estético.
Os
brincos sempre foram as jóias mais populares de todo a antiga
era imperial chinesa e as formas e os designs eram extremamente variados,
sendo a arquitetura a principal fonte de inspiração,
mais até do que a natureza.
Os
ornamentos de pescoço incluíam colares, torques (torcs),
peitorais etc. Algumas dessas jóias tinham somente uma função
ornamental, enquanto que outras possuíam funções
mágicas ou utilitárias. Por exemplos, os torques eram
utilizados para a proteção do pescoço em batalhas,
além de demonstrar o grau de hierarquia militar e em geral
tinham as suas extremidades decoradas com figuras zoomórficas,
sendo o leão o animal predileto. Os peitorais eram outro tipo
de adorno para pescoço e nas dinastias mais antigas em geral
eram compostos de correntes com um camafeu no centro; porém,
mais tarde, tomaram a forma de um disco chato e possivelmente foram
inspirados em moedas, já que os peitorais em forma de disco
mais recentes possuem moedas na sua composição. Eram
usados por membros da classe mais alta e em estátuas ou pinturas
que representavam deuses.
Os braceletes também eram adornos populares e eram confeccionados
geralmente em formas semitriangulares e circulares. Podiam ser maciços
ou ocos e às vezes possuíam extremidades zoomórficas
e eram usados por homens e mulheres igualmente, podendo ser em pares
ou uma só peça. Existiam também os braceletes
para pernas (anklets) e seu design mais popular era com as extremidades
em forma de cabeça de cobra, símbolo da força
vital.
Os anéis podiam somente adornar ou cumprir funções,
como atuar como selo. Podiam ser confeccionados em secção
triangular, circular, oval ou chata. As imagens representadas podiam
ser zoomórficas ou antropomórficas, sendo a primeira
mais recorrente. Também era muito comum o anel em forma de
cone que vestia o dedo inteiro e possuía uma ponta bem afiada.
Na classe mais alta era usado em todos os dedos das mãos.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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