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JOALHERIA ROMANA
Parte II


Julieta Pedrosa*


Aurifex Brattiarius: inscrito em uma placa, avisa aos passantes em frente à loja que um ourives ali trabalhava. Os ourives do antigo Império Romano vinham predominantemente do Oriente, e preferiam trabalhar nas principais do Império, como Alexandria, Antioquia e a própria Roma. Uma das mais óbvias razões para a grande quantidade de ourives em Roma era a grande riqueza das famílias patrícias. Estas pequenas dinastias possuíam uma enorme quantidade de jóias, além de baixelas e objetos decorativos em ouro e prata.

O trabalho dos ourives era extremamente apreciado. Na Casa dos Vertii, em Pompéia, ainda podemos admirar um afresco decorativo mostrando dois cupidos entretidos na fabricação de jóias. As jóias também serviam para adornar estátuas: diademas, braceletes, colares e brincos decorados com pérolas, esmeraldas, cristais de esmeraldas aram as gemas mais utilizadas para aumentar a magnificência das estátuas romanas.

Os cidadãos romanos podiam amar jóias, mas a Lei Romana impedia os excessos. O primeiro código de lei romano, chamado de Lei das Doze Tábuas, determinava a quantidade de ouro que podia ser enterrada junto com um cadáver. No século III aC, a Lex Oppia fixava em meia onça de ouro a quantidade que uma mulher poderia usar. Isto, sem dúvida, modificou a maneira de vestir de muitas das matronas romanas. Mas evidências históricas nos mostram que foram achados meios de compensar os limites da lei. O historiador Plínio, conhecido na História pela sua aguda observação da sociedade romana de seu tempo, nos conta que mulheres podiam usar três pérolas de grande tamanho em cada orelha e que a Imperatriz Lollia Paulina, terceira esposa de Calígula, utilizava uma quantidade excessiva de jóias até mesmo em ocasiões onde a austeridade era necessária, como nos funerais.

O ouro era o metal mais valorizado pelos antigos romanos. Como não era sujeito à corrosão, nem se deteriorava, sendo então eterno e incorruptível, era o metal que mais refletia os ideais romanos. Durante a República, os anéis de ouro só podiam ser usados por uma determinada classe social ou ofertados em ocasiões especiais, como em honras militares, aos generais e oficiais vitoriosos. Com o fim do período republicano, o uso estendeu-se a todos os cidadãos romanos.

Para as crianças, existia o Etruscum Aurum, um amuleto circular usado como proteção. Inicialmente usado quando dos ritos de passagem da infância para a vida adulta, mais tarde tornou-se meramente um jóia de adorno.

É importante notar que, assim como em todos os séculos da História do homem, a joalheria dos antigos romanos serviu como símbolo de classe social, de status e de ostentação de riqueza. Uma triste evidência desta preocupação com a ostentação pode ser vista junto aos restos humanos preservados de vários cidadãos romanos na cidade de Pompéia: ao perderem precioso tempo tentando carregar com eles suas jóias e objetos valiosos em ouro, foram mortos por asfixia pelas cinzas e gases emanados do Vesúvio em erupção.<


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br