Pergunta difícil de responder.
Somos tantos e com enormes
talentos criativos, reconhecidos e admirados pelos cinco
continentes. Temos dezenas de faculdades, devidamente
oficializadas pelo MEC, espalhadas por todo o país.
Algumas formando profissionais há 40 anos. Mas quando o
assunto se refere à nossa profissão surgem certas
dificuldades de semântica.
Em nosso país, alguns, com um
apurado senso estético, se definem como artistas
plásticos, e se prendem na forma, na estética.
Outros, apaixonados pelos avanços tecnológicos,
procuram reinventar a roda, e só pensam na função, no
uso.
E para complicar um pouco mais,
temos o mercado empregador, que espera desses
profissionais o milagre de aumentar as vendas de seus
produtos e arrasar seus concorrentes.
Somos cobrados, intensamente pelo
nosso desempenho, pelos outros e por nós mesmos. Mas
cobrados do quê? Com certeza todos nós já nos fizemos
essa pergunta.
Há cerca de 30 anos, ninguém
sabia o que era a profissão Designer ou desenhista
industrial. Na letra D dos classificados dos melhores
jornais, essa palavra não existia. Hoje todos se
intitulam Designers, este termo aparece constantemente na
mídia, quer antes de algum nome emergente ou de algum
produto, sempre usado para agregar algum valor.
Paradoxalmente, o mercado
inflou-se, feito uma bolha, pela semântica. Se hoje
temos esta enorme oferta de Designers não é, na maioria
das vezes, por mérito mas, por puro requinte da palavra.
Este fato gera um sério problema
de segmentação. Pois, como dito anteriormente, as
funções do designer se mesclam numa infinita variedade.
E já não se pode comparar aquele que desenha para criar
o designer - com quem cria para desenhar o
artista.
Não quero, com isso, dizer que o
designer não seja fundamentalmente um artista. Mas que
sua tarefa primeira no mercado é usar esse talento
criativo com uma finalidade comercial e funcional,
marcando através desses objetos a sua época, com seus
hábitos e costumes, enfim, a cultura do seu país.
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