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HISTÓRIA DA JOALHERIA
RAINHA ISABELA:
UM TESOURO NO FUNDO DO MAR
Julieta Pedrosa*
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As grandes rotas marítimas estão repletas de
naufrágios que podem nos contar um pouco da maneira como
as gemas eram negociadas há alguns séculos atrás. Em 1993, buscando resgatar tesouros
afundados juntamente com antigas embarcações, uma
equipe de mergulhadores profissionais, chefiada por
Victor Benilous, dá início a uma pesquisa arqueológica
na costa leste norte-americana. O alvo era o possível
naufrágio de uma embarcação espanhola no século XVI.
Sobre o desaparecimento da galeota, somente anotações
em um diário de bordo de uma outra nau que cruzou as
mesmas águas em 1756.
Perto
de cabo Canaveral, a 12 milhas náuticas da costa
da Flórida e à grande profundidade,
instrumentos encontram três embarcações
espanholas datadas do período colonial. Os
mergulhadores iniciam então seu trabalho e, no
interior de uma das naus, ficam frente a frente
com a mais bela descoberta arqueológica do fim
do milênio passado: a bordo da embarcação
estão 25.000 quilates de esmeraldas lapidadas,
vários conjuntos de jóias cerimoniais
pré-colombianas em ouro, cristais de esmeraldas
pesando 24.644 quilates , além de centenas de
jóias excepcionais, tudo de um valor
inestimável. Mas o tesouro maior é a Rainha
Isabela, uma esmeralda de 964 quilates que
se julgava perdida para sempre. De forma rara,
oblonga e com uma limpidez extrema, foi estimada
na época da sua descoberta em 11,5 milhões de
dólares. A fantástica esmeralda pertencia a
Hernán Cortez, conquistador espanhol do México.
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Foi o próprio
Cortez que deu à gema o nome da rainha
espanhola Isabela de Castela, falecida em 1504,
ano do seu embarque para o novo mundo. Hernán
Cortez deu esta esmeralda e outros objetos
preciosos para sua segunda esposa, dona Juana de
Zuniga, como presentes de casamento, e foi para
repatriar estes tesouros, duzentos anos mais
tarde, que a família Zuniga fretou a nau que
acabou naufragando nas águas da Flórida. As
outras esmeraldas encontradas pertenciam ao
próprio Cortez. Vários testemunhos da época
atestam que ele portava sempre ao redor do
pescoço um fantástico colar com cinco
esmeraldas gravadas com desenhos de flores e
pássaros oferecidos pelo imperador azteca
Montezuma. |
Quanto
às jóias encontradas, representam bem o
trabalho dos artífices mexicanos
pré-colombianos, que executavam em ouro ou prata
todo o tipo de figuras de flores, frutas ou
animais. O centro principal de produção de
jóias das culturas zapoteca e mixteca ficava em
Monte Albán. As jóias eram de refinada
elaboração, decoradas com gravações e
filigranas e utilizava-se a técnica de
fundição à cera perdida. Braceletes, brincos,
peitorais, escudos e máscaras eram
confeccionados num característico estilo
esquemático. Determinadas peças podiam receber
incrustrações de pedras duras (como a
jadeíta), conchas, pérolas e esmeraldas
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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