O início da história da joalheria grega
remonta à Pré-História. Maravilhosos exemplares, de
excepcional e delicada ourivesaria e contendo, os mais
antigos, 5000 anos, foram encontrados em Creta e em
outras ilhas do Mar Egeu. Estudos constataram que estas
peças pertencem ao período da civilização Minóica e
também à civilização Micênica, que a sucedeu. Ambas
as civilizações constituíram as bases para o
desenvolvimento da civilização Grega, nutrindo as
narrativas épicas de Homero, que por sua vez alimentou
grande parte da literatura e da iconografia de toda a
Antiguidade: ourives criavam inspirados nas detalhadas
descrições do escudo de Aquiles, do cinto de Afrodite
ou das maçanetas douradas do palácio de Tróia.Depois da extinção do mundo
micênico ocorreu o chamado Período Negro (1100-800 a
C). A joalheria deste período refletiu pouco a
imaginativa riqueza dos períodos anteriores, apesar de
que a chama da tradição da confecção de jóias
continuasse acesa, para brilhar novamente a partir do ano
800 a C, quando novas peças confeccionadas em refinada
técnica e delicado artesanato apareceram nas ilhas eginas.
Apesar da Grécia
durante o período Arcaico (600- 475 a C), ter sofrido
grandemente durante as Guerras Persas, por sorte tiveram
pouco efeito sobre o alto nível da cultura helênica. As
artes continuaram com crescente vigor nas cidades gregas
às margens do Ponto Euxino (Mar Negro), no sudeste da
Itália e na Sicília, e até na Península Ibérica. No
Período Clássico, também conhecido como Idade de Ouro,
a quantidade de jóias confeccionadas foi menor do que
nos períodos anteriores, mas foi tão soberba na
qualidade e na perfeição técnica que a arte da
ourivesaria elevou-se ao patamar da escultura em
miniatura.
A opulência da arte da
ourivesaria, no entanto, verificou-se após as conquistas
de Alexandre, o Grande, quando o ouro e as gemas eram
encontrados em abundância. As jóias gregas passaram
então não somente a serem enriquecidas com designs de
influências orientais, mas também embelezadas com gemas
raras. A utilização de gemas de cores variadas nas
mesmas jóias passou a ser largamente utilizada.
Durante o período de
domínio romano, o design foi negligenciado em função
de um maior embelezamento das jóias por gemas. A
variedade, o luxo e a magnificência da joalheria grega
alcançaram o seu clímax durante o Império Bizantino,
entre os séculos X e XI da nossa era. O modo de vida
luxuoso da corte bizantina, admirado e copiado por
príncipes do Ocidente e do Oriente, era refletido em
jóias fantásticas, em termos de design, técnicas de
fabricação e elementos decorativos. A profissão de argyroprates
(joalheiro), era considerada uma das mais nobres da era
bizantina, sendo regulamentada por leis especiais. Alguns
exemplares da joalheria bizantina, como adornos pessoais
e jóias sacras podem ser encontrados em coleções
particulares e em grandes museus, mas sem dúvida que uma
parte significante deste tesouro foi perdida para sempre.
A Queda de
Constantinopla em 1453 marca o fim do Império Bizantino
e o começo da dominação turca otomana, que subjugou a
Grécia por 400 anos. Durante este período, ourives
trabalharam sob duras condições e restrições, para
ver sua arte florescer somente nos séculos XVII e XVIII.
Centros de ourivesaria foram estabelecidos em diversas
partes da Grécia e, por conta da dificuldade em se
adquirir ouro, o bronze e a prata passaram a ser
utilizados na confecção de jóias e ornamentos. As
fontes de inspiração eram as antigas artes gregas,
símbolos bizantinos como a águia com duas cabeças e a
arquitetura e a natureza.
No século XIX acontece a Guerra
pela Independência e a conseqüente criação do Estado
Moderno Grego. Com a volta da prosperidade à sociedade e
a admiração dos gregos pela cultura européia, nas
artes gregas em geral e na arte da ourivesaria em
particular, aconteceu uma "europeização" da
cultura grega, que só diminuiu na primeira metade do
século XX com a volta da apreciação, não somente da
antiga civilização grega, mas também da nova
tendência nas artes grega, chamada de neo-helênica. A
partir de 1950, graças ao talento de ourives, joalheiros
e traders, a joalheria grega tem conseguido uma
posição de destaque no comércio internacional
joalheiro, graças à riqueza das suas fontes de
inspiração, aplicadas a novas e antigas técnicas de
ourivesaria, que possibilitam a criação de uma
joalheria contemporânea.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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