Muito antes do tempo dos Faraós, o homem já descobrira
métodos, bem elaborados, de substituir a pedra preciosa
e o ouro por imitações que, para a época, eram
consideradas perfeitas. Com o passar dos séculos,
tornou-se uma praxe necessária reis e conquistadores de
impérios terem sempre em seus fabulosos reinos um mago
alquimista que possuísse poderes e detivesse a sabedoria
da ciência para que, com seus complicados métodos
científicos, fosse capaz de desvendar as mais
complicadas reações da natureza e distinguir, dentre os
tesouros conquistados, o que realmente era precioso.Para termos idéia da incansável
busca do homem pela fórmula capaz de dominar a natureza,
ou de pelo menos tentar reproduzi-la, Auguste Louis
Verneuil em 1894, observou que fundindo óxido de
alumínio (Al2O3) em temperatura
elevada, similar à exercida pela terra em seu subsolo,
poderia daí obter um resultado extraordinário O
Corindon Sintético que seria a notícia mais
revolucionária da época para o setor joalheiro. O
sistema conhecido como "fusion", até os meados
dos anos 40, era a mais perfeita "imitação" do rubi, capaz de passar desapercebido
aos olhos dos mais experientes joalheiros europeus. Com
isso, o mercado de jóias e pedras preciosas na Europa
entrou em pânico, obrigando o setor a tomar algumas
atitudes, que se tornaram praxe do mercado joalheiro,
até pouco tempo, de adquirir qualquer tipo de gema
apenas dos comerciantes tradicionais que estavam
estabelecidos e conhecidos pelas suas "idas e
vindas" das minas das pedras preciosas. Isso não
foi o suficiente para conter a grande desconfiança que
assolava o mercado joalheiro internacional, sendo criada
então na Inglaterra, na década de 20, pelo British
Goldsmith Union (Sindicato dos Ourives e Joalheiros da
Inglaterra), a primeira escola de Gemologia. O efeito
produzido no mercado por esses gemólogos
"magos", se comparados àqueles dos tempos
medievais foi o antídoto perfeito que se espalhou
por outros países como os Estados Unidos (1931), onde foi
criado o GIA Gemological Institute of America
com seu revolucionário método de ensino à
distância, difundindo a ciência da Gemologia para
centenas de milhares de "magos" de diversas
nações. Em seguida foi a vez da Alemanha, URSS, Hong
Kong, Japão, Bélgica, entre outros.
Hoje, mais de 100 anos
depois de Verneuil, as coisas se complicaram bastante
para nós gemólogos, pois ao contrário daquele rubi
sintético produzido de forma muito rudimentar e de
fácil identificação, os russos, suíços, japoneses e
americanos desenvolveram, utilizando a mais alta
tecnologia, rubis, safiras, esmeraldas, diamantes,
quartzos de todas as cores imagináveis, sem
contarmos com os materiais denominados "de
imitação" tornando-se assim cada vez mais
complexas as técnicas exigidas para separar o "joio
do trigo".
A Gemologia, contudo, é
um instrumento fabuloso para manter a segurança e a
confiança exigida pelo mercado joalheiro, porém, no
Brasil, poucos ainda detêm o conhecimento necessário
para se intitularem "gemólogos". O mercado
deve ficar atento com aqueles que, através de farta
assimilação literária, assim se intitulam,
principalmente no meio daqueles que possuem carência e
insegurança de informações mercadológicas.
Os gemólogos devem
possuir, além de aparelhos técnicos (e saber
manejá-los com destreza), grande experiência de
mercado, pois somente a árdua manipulação diária de
centenas de pedras naturais, sintéticas e imitações
poderão dar subsídio e conhecimento necessário para o
diagnóstico de uma gema sintética ou natural, em apenas
alguns minutos. Aos olhos do leitor, talvez a
inexperiência do profissional não pareça de suma
importância, porém, no momento de identificar e
assegurar ao cliente através de um documento
(certificado) que tal gema não é o diamante, ou
rubi, ou safira, ou esmeralda, ou alexandrita de
US$80.000 que parecia ser e sim uma Moissanita, ou
outro material qualquer de apenas US$1.500, teremos que
recorrer além da experiência prática - a todos
os nossos embasamentos conceituais e tecnológicos
disponíveis, pois por qualquer deslize, o prejuízo de
uma das partes poderá ser imensurável.
Antigamente - voltando
aos tempos medievais - se os magos emitiam uma opinião
errada que levava a sua Majestade a assumir prejuízos,
eram condenados à decapitação. E hoje? O que
aconteceria?? Ao gemólogo, na melhor das hipóteses,
caberia interpretação do poder judiciário. Quanto ao
cliente, a certeza de ter sido lesado, assumindo
provavelmente um prejuízo milionário, que talvez fosse
descoberto somente muitos anos mais tarde...
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