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GEMAS ESPETACULARES
Parte I

Julieta Pedrosa*


Histórias de certas gemas célebres como os diamantes Cullinan, Koh-i-noor e Hope são conhecidas pela grande maioria das pessoas que apreciam jóias e gemas, sejam elas apenas admiradoras, compradoras ou comerciantes do setor joalheiro. Mas também existem histórias sobre outras gemas espetaculares não tão conhecidas mas igualmente fascinantes...aqui estão algumas destas histórias...
Feliz ano novo aos queridos leitores!

Farah-DibaA tiara Nur-ul-ain - essa história começa em 1642. Jean-Baptiste Tavernier, viajante emérito e célebre comerciante de gemas, registra em seu diário de viagem (mais tarde transformado em livro sob o nome de "As seis viagens na Turquia e na Pérsia") que viu, no sudoeste da Índia, um enorme e fantástico diamante rosa com 300 quilates. Batizado de Darya-i-nur (oceano de luz), a gema ficou em mãos dos imperadores Moghols até 1739, quando o xá Nadir conquista Delhi. Levado para a Pérsia, o diamante foi dividido em dois. As gemas que se originaram desta divisão foram chamadas de Darya (176 quilates lapidados em mesa) e Nur-ul-ain (de talhe oval contendo 60 quilates). Esta última, muitos anos depois, tornou-se o centro de uma tiara em platina adornada com milhares de diamantes de todas as cores, que foi confeccionada pelo nova-iorquino Harry Winston em 1958, para a imperatriz Farah-Diba usar na ocasião do seu casamento com o último xá da antiga Pérsia.

O "Black Orlov" – a história inicial desta gema negra continua um enigma. Para alguns, é parte do diamante de 195 quilates chamado "Olho de Brahma", que fazia parte de uma estátua do deus existente em um templo na região de Pondichery, Índia, onde a cor negra é sinônimo de má sorte. Outros acreditam que o nome da gema origina-se do nome de uma princesa russa chamada Nadia Viegyn-Orlov que, para muitos, nunca existiu. O que se sabe com certeza é que, comprado em meados do século passado por Harry Winston, o diamante (que possui agora 67,50 quilates) foi mostrado como curiosidade ao mundo em exposições, antes de ser montado em um colar de platina cravejado com outros diamantes. O colar passou por vários donos e sua última venda deu-se através de um leilão da casa Sotheby’s.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br