Em meados do século VII AC os gregos viajaram para o leste
na busca de novas terras. Ao chegar ao Mar Negro, ao qual chamaram
de Pontos Axeinos (mar inóspito) por causa das águas
revoltas, viajaram mais ao norte, e em águas mais calmas, renomearam-no
Pontos Euxine (mar hospitaleiro). Colônias gregas foram fundadas
no que hoje constitui a região da Rússia conhecida por
Criméia e seus primeiros habitantes cultivavam grãos
e pescavam peixes, que exportavam.
A primeira
grande colônia, Pantikapeion, foi fundada no século VI
AC, seguida por várias outras. Estas cidades se tornaram tão
poderosas que no século V AC fundaram um reino que no seguinte
século IV vivenciou o apogeu da arte da ourivesaria naquela
região.
Depois
do declínio da civilização grega, aquela região
foi ocupada por diversos governantes, de diferentes culturas. Com
a anexação da região ao Império Russo,
foi possível no século XIX o início de escavações
em vários sítios. Estas expedições arqueológicas,
inicialmente conduzidas pelos tsares e mais tarde por arqueólogos
do Museu Hermitage de São Petersburgo, foram gratificadas com
os inúmeros artefatos encontrados e com informações
preciosas sobre as antigas colônias gregas e continuam sendo
feitas até hoje, já que ainda há muito que descobrir
e explorar escavando.
Atualmente,
os objetos encontrados ficam expostos em museus na Criméia,
mas a maior parte do acervo encontra-se no Hermitage.
A visão
dos antigos gregos era de que as jóias eram para serem usadas.
Segundo eles, as jóias realçavam a beleza de quem as
portava e conferiam status social. A maior parte das jóias
gregas encontradas confeccionadas nesta região é em
ouro – que vinha da antiga Pérsia – mas também
foram encontradas peças em prata, bronze e até mesmo
em terracota.
As
antigas jóias gregas eram feitas de peças confeccionadas
separadamente, trabalhadas com martelos de ourives e moldadas desde
a fina folha de ouro inicial. Além de detalhes decorativos
e figuras, a filigrana era também muito utilizada: finíssimos
fios de ouro entrelaçados e torcidos tornavam-se uma delicada
trama de ouro, às vezes difícil de ser observada em
detalhes, a olho nu.
Dos sítios
arqueológicos mais antigos encontram-se o de Olbia (séculos
VI à V AC) e o de Sete Irmãos (século V AC).
Nos de Nymphaion e Pantikapeion (século IV AC) foram encontradas
maravilhosas peças de ourivesaria que fazem jus à denominação
dada a este século pelos historiadores no que se refere à
excelência na arte da ourivesaria dos antigos gregos: Era de
Ouro.
Também
do século IV AC, foi no sítio arqueológico de
Kul Oba que foi encontrado o que é considerado um dos maiores
tesouros do Hermitage: o colar de guerra (torch) em ouro retorcido
em cujas extremidades estão representados dois cavaleiros citas.
Os detalhes das roupas, a representação do movimento
dos corpos e as expressões faciais das figuras não encontram
rivais na arte da ourivesaria antiga.
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