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OURIVESARIA DOS ANTIGOS GREGOS
NA RÚSSIA


Julieta Pedrosa*


Em meados do século VII AC os gregos viajaram para o leste na busca de novas terras. Ao chegar ao Mar Negro, ao qual chamaram de Pontos Axeinos (mar inóspito) por causa das águas revoltas, viajaram mais ao norte, e em águas mais calmas, renomearam-no Pontos Euxine (mar hospitaleiro). Colônias gregas foram fundadas no que hoje constitui a região da Rússia conhecida por Criméia e seus primeiros habitantes cultivavam grãos e pescavam peixes, que exportavam.

A primeira grande colônia, Pantikapeion, foi fundada no século VI AC, seguida por várias outras. Estas cidades se tornaram tão poderosas que no século V AC fundaram um reino que no seguinte século IV vivenciou o apogeu da arte da ourivesaria naquela região.

Depois do declínio da civilização grega, aquela região foi ocupada por diversos governantes, de diferentes culturas. Com a anexação da região ao Império Russo, foi possível no século XIX o início de escavações em vários sítios. Estas expedições arqueológicas, inicialmente conduzidas pelos tsares e mais tarde por arqueólogos do Museu Hermitage de São Petersburgo, foram gratificadas com os inúmeros artefatos encontrados e com informações preciosas sobre as antigas colônias gregas e continuam sendo feitas até hoje, já que ainda há muito que descobrir e explorar escavando.

Atualmente, os objetos encontrados ficam expostos em museus na Criméia, mas a maior parte do acervo encontra-se no Hermitage.

A visão dos antigos gregos era de que as jóias eram para serem usadas. Segundo eles, as jóias realçavam a beleza de quem as portava e conferiam status social. A maior parte das jóias gregas encontradas confeccionadas nesta região é em ouro – que vinha da antiga Pérsia – mas também foram encontradas peças em prata, bronze e até mesmo em terracota.

As antigas jóias gregas eram feitas de peças confeccionadas separadamente, trabalhadas com martelos de ourives e moldadas desde a fina folha de ouro inicial. Além de detalhes decorativos e figuras, a filigrana era também muito utilizada: finíssimos fios de ouro entrelaçados e torcidos tornavam-se uma delicada trama de ouro, às vezes difícil de ser observada em detalhes, a olho nu.

Dos sítios arqueológicos mais antigos encontram-se o de Olbia (séculos VI à V AC) e o de Sete Irmãos (século V AC). Nos de Nymphaion e Pantikapeion (século IV AC) foram encontradas maravilhosas peças de ourivesaria que fazem jus à denominação dada a este século pelos historiadores no que se refere à excelência na arte da ourivesaria dos antigos gregos: Era de Ouro.

Também do século IV AC, foi no sítio arqueológico de Kul Oba que foi encontrado o que é considerado um dos maiores tesouros do Hermitage: o colar de guerra (torch) em ouro retorcido em cujas extremidades estão representados dois cavaleiros citas. Os detalhes das roupas, a representação do movimento dos corpos e as expressões faciais das figuras não encontram rivais na arte da ourivesaria antiga.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br