Durante a Revolução Francesa, a
coleção das jóias e diamantes pertencentes à Coroa da
França, iniciada por Francisco I e enriquecida por Luís
XIV, foi exposta ao público a partir de 1875 no
edifício conhecido à época como Garde-Meuble e
teve uma grande parte dela roubada em 1792 (vide artigo
de minha autoria, O
Grande Roubo das Jóias da Coroa Francesa
) e jamais recuperada.
Napoleão I, ao tornar-se
imperador dos franceses, passa a empreender a
reconstituição do tesouro roubado, comprando uma grande
quantidade de gemas e comissionando ourives parisienses
com a confecção de magníficas jóias, dentre as quais
as famosas parures usadas pelas imperatrizes
francesas Josefina e Maria-Luísa, e pela rainha da
Holanda Hortense de Beauharnais, filha de Josefina.
A imperatriz Josefina, que tinha
uma grande paixão por jóias, possuía uma grande
quantidade de parures e de gemas como diamantes,
rubis, opalas e esmeraldas. Na ocasião de sua morte, em
1814, e apesar do seu divórcio de Napoleão (1809),
belíssimas jóias foram encontradas guardadas em seu
quarto do castelo Malmaison. Quase nada chegou aos nossos
dias.
Após o segundo casamento do
imperador, celebrado em 1810, novas parures de
Estado (pertencentes às jóias da Coroa) foram criadas
para a nova imperatriz. O mesmo ourives de Josefina,
Monsieur Nitot, confecciona uma magnífica parure
de diamantes, compreendendo uma tiara para o alto da
cabeça (haut-de-tête), um diadema, um colar,
dois brincos em girândola, uma escova para cabelos, dois
braceletes, um cinto e dez ornamentos para vestido. No
diadema resplandeciam os diamantes Mazarino 7 e 8, e no
cinto os diamantes Mazarino 17 e 18. No mesmo ano,
Monsieur Nitot confecciona uma parure de pérolas, uma de
rubis e diamantes, e uma outra de turquesas e diamantes.
Em 1811 foram anexadas às jóias de Maria-Luísa uma
parure de safiras e diamantes e uma de ametistas e
diamantes. A imperatriz, austríaca, bem mais nova que
Napoleão e irmã da imperatriz brasileira Leopoldina,
recebeu ainda de presente e como jóias pessoais,
magníficas parures, uma delas toda em rubis brasileiros
e outra em topázios rosados. Quando da ocasião do
nascimento do único filho que teve com Maria-Luísa,
conhecido por rei de Roma, Napoleão I presenteia sua
esposa com uma jóia suntuosa: um colar de diamantes,
obra também de Nitot, composto por um total de 234
gemas.
---> Hortense de Beauharnais,
filha de Josefina com seu primeiro marido,
general Beauharnais, casou-se com Luís
Bonaparte, rei da Holanda e irmão do ex-marido
de sua mãe, Napoleão I. Entre outras
belíssimas jóias, é famosa a sua parure de
esmeraldas e diamantes, que encontra-se no Louvre. |
|
*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
|