E continuamos nós na
busca da definição de uma personalidade que identifique
nossas criações como um design brasileiro.
Nós, designers, criamos sempre a partir de
nossa bagagem cultural. Nosso repertório é feito assim,
do conjunto das informações que vamos colhendo através
de nossas vivências.
Somos um grande arquivo
de tudo o que nos impressionou de alguma forma, de tudo o
que vivemos em grupos, de hábitos, de modo de vida.
Por isso pensar em um design
brasileiro significa falar de nosso modo de viver.
Claro que os materiais
que nos cercam em abundância, ricos em cores e formas,
belos em sua exuberância, excêntricos em sua origem
tão única, seriam um bom elemento por si só para
remeter a imagem de uma jóia diretamente à sua origem.
Mas nós, brasileiros,
temos mais.
Temos também toda uma
bagagem de culturas diversas, uma riqueza que vem da
própria gente, uma diversidade que vem das próprias
origens misturada com muito sol, calor, lindas e vivas
cores, água, praias, cidades grandes com sabor tropical
e, tudo isso, faz de nós um povo muito especial,
globalizado.
Somos o retrato da
globalização de raças e culturas.
E é isso que nos faz ricos e diferentes.
Se o conceito de
globalização hoje traz com ele a perda da identidade,
da cultura e dos valores econômicos dos povos, nós
seremos sempre o resultado positivo de toda essa
diversidade convivendo harmoniosamente.
E melhor assim.
Ser brasileiro, ser designer
brasileiro, fala de buscar sintetizar nas formas esse
jeito de Brasil.
Nossas jóias vão falar
de como - conhecendo o mundo - fazemos a leitura deste
mundo através de nosso jeito brasileiro de viver.
Então, a jóia
brasileira pode ser muito mais do que apenas o uso de
materiais "nativos", mas tradução em cores e
formas do nosso modo de vida.
O design
brasileiro tem muito mais a ver com nossa "ginga", a maneira de vestir e portar uma jóia, o
como e quando se usa uma jóia.
Buscar a
nacionalização da nossa arte: é importante para falar
de nós, como povo, como Brasil.
Mas que isso não sirva
para nos identificar como tribo distante, exótica.
"Exotique", como nossos amigos franceses
identificam nossas plantas e aves.
Somos
uma imensa mistura de culturas. Somos capazes de entender
um 'Art Nouveau' e um 'Art Deco' e realizá-los através
de nossa habilidade em trabalhar flores e curvas,
formas geométricas e cores.
Posso fazer uma
coleção, como agora, combinada com o trabalho de um
grupo de índios, mas não é esse trabalho que vai fazer
de mim uma designer mais brasileira. É um tema, não
uma identidade do meu trabalho.
Eu sou designer,
sou brasileira, nascida no Rio, criada à beira do mar e
com muitos anos de São Paulo. E quando meu trabalho vai
para fora do país, é através dele que eu falo do
Brasil. É através dele que eu mostro o design
brasileiro.
Não importa muito o
material, importa mais o meu jeito de ser Brasil.
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