A coroa de Santo Estevão, também conhecida como "Sagrada
Coroa da Hungria" foi usada para celebrar os reis húngaros
desde o século XIII. A coroa leva o nome de István (1000-1038),
o primeiro rei cristão da Hungria e que foi canonizado santo
após sua morte. É objeto de enorme veneração
e respeito por parte do povo húngaro e sua história
comporta fantásticas aventuras: já foi perdida, roubada,
considerada resgate de guerra, escondida dentro de arcas de madeira,
cofres de ferro, barril de óleo e esteve em castelos, cidades,
pequenas vilas, até mesmo no Fort Knox, USA.
A
coroa, em ouro e guarnecida com safiras, granadas, pérolas,
figuras esmaltadas e também gemas substituídas por vidro,
é considerada, por alguns especialistas húngaros, como
tendo a sua forma 100% original, mas existem controvérsias
devido a alguns detalhes que se sobressaem: a pequena cruz no topo
está afixada com um parafuso que penetra o estomago da figura
de Jesus, o que não é uma representação
ortodoxa; a maioria das figuras dos apóstolos estão
superpostas e fora de ordem; a coroa, na sua presente forma atual,
não pode ter sido confeccionada por nenhum ourives comissionado
pela corte húngara, parecendo mais um amálgama de diversas
peças; ainda, para se adequar ao tamanho normal de uma cabeça
adulta, faz-se necessária a colocação de tecidos
acolchoados por dentro da peça, cuja distribuição
desbalanceada do peso sobrecarrega demais o pescoço de quem
a porta.
A
coroa é composta de duas peças: uma coroa inferior de
estilo bizantino e outra superior cruciforme, mais antiga. A primeira
data cerca de 1070 e consta ter sido um presente do imperador bizantino
Miguel VII Dukas a Synadene, princesa que se tornou esposa do rei
húngaro Géza I(1074-75). A coroa superior em forma de
cruz foi dada como presente pelo papa Silvestre II ao rei Estevão
I e possui um detalhe peculiar: a cruz no topo não está
afixada em ângulo reto, mas sim com uma inclinação
de aproximadamente quase 30 graus, provavelmente devido a algum acidente
em sua manipulação. Não é considerada
a cruz original, a qual consta como ter contido uma relíquia
que se acreditava ser um pedaço da cruz onde Jesus foi crucificado.
Citando
algumas das aventuras pelas quais a coroa de Santo Estevão
I passou, entendemos porque ela é considerada uma relíquia
sagrada pelo povo húngaro, que crê que enquanto existir
a coroa (e ela se encontrar em solo pátrio), a Hungria existirá
como nação. Em 1241, o rei Bela IV resgatou a coroa
dos tártaros; em 1463, o rei Mateus comprou-a da corte vienense
por uma soma astronômica; em 1526 ela foi escondida na cidadela
de Fuzer, quando da invasão otomana; em 1849 a coroa foi enterrada
dentro de uma arca de ferro, em uma cidadezinha da Romênia,
quando da queda dos Habsburgos; em 1945 ela foi escondida dentro de
um barril de óleo, para escapar do exército russo que
entrava na Áustria; também em 1945, ela passou para
a posse do Governo dos Estados Unidos da América, que não
a considerou como espólio de guerra, mas a manteve guardada
no Forte Knox, mesmo lugar onde é guardado o ouro do tesouro
norte-americano. Em 5 de janeiro de 1978, a posse da coroa foi finalmente
transferida novamente para o governo da Hungria e atualmente encontra-se
no prédio do parlamento húngaro.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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