A paz na Europa em 1918 vê impor-se na joalheria européia
e norte-americana o estilo Art Decò, com seu design associado
ao Cubismo, ao Abstracionismo e ao Modernismo da arquitetura da Bauhaus.
O Modernismo
no Brasil teve início com a realização da Semana
de Arte Moderna em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São
Paulo, cujo objetivo era colocar a cultura brasileira a par das novas
correntes do pensamento europeu ao mesmo tempo em que pregava a tomada
de consciência da realidade brasileira, rompendo com todas as
estruturas do passado. As senhoras ricas das grandes cidades como
Rio de Janeiro e São Paulo encomendavam preferencialmente suas
peças diretamente de Paris, mas belíssimas jóias
com gemas nacionais também eram feitas por ourives brasileiros,
inspirados pelas mudanças artísticas e político-sociais
do chamado “movimento modernista”.
O
Modernismo brasileiro atravessou todo o período da Segunda
Guerra Mundial e foi além. A partir de 1945, a fundação
de novos museus foi um fator de grande importância para a divulgação
das artes no Brasil e, a partir de 1950 a Bienal de São Paulo
faria convergir para o país a arte contemporânea de todas
as partes do mundo, incluindo o movimento concretista, em cujas obras
predomina o geometrismo e do qual Brasília é o melhor
exemplo de expressão arquitetônico-urbanista.
Seguindo
uma tendência mundial nas últimas décadas, a arte
da joalheria no Brasil vem se adaptando a uma clientela que compra
não só para uso, mas também como investimento
e que se interessa por novos e diferentes designs. Esta nova clientela
motivou a ênfase na qualidade das gemas, que passaram a ser
perfeitamente facetadas para atender a um mercado cada vez mais exigente
na qualidade. Surgiram novas idéias e conceitos e, também,
novos materiais, utilizados pelos designers de jóias para exprimir
seu traço criativo. Arquitetos e artistas plásticos
de várias expressões passaram também a desenhar
jóias, abrindo espaço em galerias de arte e museus para
a exibição de suas criações. A elegância
e o equilíbrio do design de um colar ou par de brincos passou
a ser bem mais valorizado do que a quantidade de ouro que a peça
podia conter. Novas maneiras de se utilizar tradicionais peças
como anéis ou braceletes foram sugeridas, e a jóias
passaram a ser vistas também como pequenas esculturas que,
dependendo da criatividade e da técnica de confecção
empregada, podiam adquirir novas formas.
Atualmente,
a joalheria brasileira está voltada para o desenvolvimento
do design. As fronteiras entre a joalheria, a escultura, a arte performática
e a moda estão constantemente em expansão e não
existem mais preconceitos quanto à utilização
de materiais e técnicas não-convencionais. As jóias
brasileiras já são identificadas no mercado consumidor
estrangeiro pelo traço jovem e leve, pela paleta de cores e
pela beleza das peças. Com a joalheria artesanal feita pelos
designers de jóias brasileiros e a produção em
escala feita pela indústria nacional joalheira, onde em ambos
os casos têm-se procurado aliar criatividade e inovação
ao design, redimensionar a utilização das matérias-primas
preciosas necessárias para a confecção de jóias,
usar novas tecnologias de fabricação e praticar bons
preços, o Brasil vem demonstrando que, apesar de todas as crises
financeiras, o setor joalheiro nacional vem correspondendo favoravelmente
a um mercado consumidor, interno e externo, sempre crescente e que
busca qualidade e estilo diferenciado.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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