Os famosos retratos da múmia
egípcio-romana (datados em torno de 300 aC), mostram o
gosto romano por jóias de uma forma bem realista.
Outra
interessante fonte arqueológica encontra-se nas
esculturas funerárias de Palmira, no noroeste do deserto
sírio, outrora chamada de Roma do Leste, e governada
pela legendária rainha Zenóbia, que manteve este
pequeno estado árabe independente, até ser conquistado
pelos romanos e sua rainha enviada para Roma acorrentada.
O que hoje é considerada a joalheria clássica dos
antigos romanos também pode ser vista nas jóias
encontradas em Pompéia e Herculano.A joalheria clássica romana era
naturalista e figurativa, ora confeccionada em linhas
planas e simples, era em elaborados motivos florais. Em
geral, os artesãos e ourives romanos não eram tão
sofisticados ou ambiciosos quanto seus colegas gregos: a
joalheria helênica é , de longe, bem mais elaborada,
detalhada e decorada. Ainda assim, evidências de jóias
requintadas sobreviveram. As esmeraldas eram as gemas
favoritas: podiam ser usadas na forma de cristais, junto
a pérolas outra gema extremamente apreciada- ou
lapidadas e usadas para decorar colares mais elaborados,
à imitação dos gregos. Safiras, águas-marinhas,
topázios e diamantes brutos também eram muito
utilizados na joalheria romana.
O
design romano utilizava granulação e filigrana, e o uso
de esmaltes não era tão comum. Raramente somente um
elemento de estilo existia na decoração de uma jóia
por exemplo, as superfícies em forma de domos,
características do Período Etrusco e encontradas em
brincos e braceletes, conviviam perfeitamente com
influências helênicas como a policromia técnica
que consistia em folhear uma superfície de madeira com
folhas de ouro , às quais eram depois aplicados esmaltes
(e que persistiu até meados de 400 dC, já em pleno
Império Bizantino). A bulla persistiu até o
primeiro século da nossa era e a roda, símbolo que se
acreditava deter poderes mágicos, tornou-se um motivo
recorrente nas jóias romanas. Dos gregos emergiu também
a fibulae uma espécie de alfinete para
prender roupas e que se tornou bastante popular entre os
romanos, da Síria veio o design do crescente invertido
com esferas em ambos os lados, e que representava o deus
condutor de carruagens Baal Rekub. Da Ásia Ocidental
veio a influência, já no primeiro século depois de
Cristo, da barra horizontal da qual pendiam dois ou três
pendentes verticais.
No ano 200 dC aparece o opus
interrasile, técnica de perfurar sólidas folhas de
metal para criar um trabalho decorativo e que mudou a
face das jóias do Período Imperial. Uma influência do
comércio existente durante o período da Roma Imperial
foi a predileção por jóias onde várias gemas
coloridas decoravam uma mesma peça os romanos
amavam os rubis, as ágatas, as granadas, os lápis-
lazulis, os corais rosas e vermelhos encontrados no mar
Mediterrâneo e o âmbar, encontrados nas águas frias
dos mares do Norte e Báltico. Intaglios eram
recortados em gemas, ou as mesmas podiam ser decoradas em
cabochons. Os camafeus eram adorados e as pérolas
podiam ser usadas em tiaras usadas para adornar os altos
penteados das ricas matronas romanas.
No segundo século dC,
torna-se moda a utilização de moedas e medalhões de
ouro imperiais como motivos decorativos para anéis entre
os homens, o que também era uma marca de distinção
militar. Quando as moedas eram utilizadas em colares,
como pendentes ou em broches, significavam uma adulação
por parte de quem as portava, em relação ao dono da
face que se encontrava nas moedas ou medalhões. O niello,
outra técnica decorativa onde eram utilizadas
superfícies de ouro e prata, era popular e, a partir de
300 dC aparecem os braceletes de ouro maciço e a versão
crossbow das versáteis fibulae, que eram
semelhantes às atuais fivelas redondas para cintos (mas
num tamanho bem maior), e ainda usadas para prender
roupas, principalmente mantos.
A joalheria romana
sofreu uma vasta influência, não só dos etruscos, dos
gregos e dos povos pertencentes à cultura helênica, mas
também das culturas micênicas, minoanas e egípcias.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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