Ainda em 1904, Cartier resolve imitar a
Maison russa, fabricando animais e flores em pedras como
o ônix, a ágata, diversos tipos de quartzos e mármores
e com detalhes em ouro, rubis, diamantes e safiras. As
pequenas esculturas eram lapidadas tanto na França
quanto na Rússia, onde Pierre Cartier encontrou o
lapidário Svietchnikov disposto a fornecer para a Maison
situada na rue de La Paix. Pelo acordo celebrado, os
desenhos de animais e flores seriam feitos em Paris, mas
confeccionados em solo russo. Svietchnikov contentou-se
em executar o trabalho de escultura e qualquer
esmaltação ou montagem em ouro para as peças era feita
por Yahr, que foi também o responsável pelo envio das
pequenas esculturas à Paris. O design das flores de Cartier
buscou inspiração na arte floral japonesa (ikebana) e
na sua confecção foi utilizado um espectro de materiais
mais amplos do que o utilizado na confecção das flores
de Fabergé: opalas, ágatas, quartzos e mármores. Os
animais mais populares produzidos por Cartier foram
pássaros, pequenos roedores e elefantes, e tão grande
foi o seu sucesso em Paris que logo o joalheiro se viu
obrigado a comprar peças prontas de joalheiros ou
lapidários russos, como Waerfell, Ovchinnikov e até
mesmo do próprio Fabergé. Mas este era um processo
incerto, caro e difícil de controlar e Cartier precisou
procurar, entre os lapidários de Paris, quem pudesse
aprender as técnicas russas de lapidação de pequenos
objetos.
Em 1906, Louis Cartier
resolveu ousar mais um pouco: a Maison francesa passou a
fabricar também os célebres ovos de Páscoa eternizados
for Fabergé. O primeiro ovo Cartier, confeccionado em
pérolas, diamantes e ouro esmaltado, foi adquirido pela
prefeitura de Paris que o ofereceu de presente ao Czar
russo Nicolau II, uma verdadeira provocação...
Foi somente a partir de
1914 é que a Maison francesa passou ser fornecida por
lapidários parisienses como Fréville e César, que
conseguiram reproduzir com perfeição e delicadeza
animais e flores. Mas a influência russa na produção
de Cartier não mais se limitaria a Fabergé: vários
funcionários participaram de viagens anuais, entre 1907
e 1914, às cidades russas de São Petersburgo, Kiev e
Moscou e voltaram seduzidos pelas cores vivas e pelas
formas diferentes da rica arte russa. Um destes
funcionários, Charles Jacqueau, inspirado também nas
coreografias do balé russo, e com o consentimento de
Louis Cartier, começa então a trabalhar no design de
anéis em gemas coloridas que fariam a Maison Cartier
famosa: ametistas combinando com jades, safiras com
esmeraldas e, de vez em quando, cristais-de-rocha para
compor um fundo neutro. Estas combinações, audaciosas
para a época, fizeram um enorme sucesso durante o
período Art Decò.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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