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A HISTÓRIA DO BROCHE
PARTE I


Julieta Pedrosa*


O broche desenvolveu-se da antiga fivela greco-romana chamada fibula. A fibula era uma fivela, usada pelos antigos gregos e depois adotada pelos romanos, para segurar e compor os trajes da época. possuía várias formas, mas todas tinham o mesmo mecanismo (alfinete de segurança). A fibulae grega do século VII AC, por exemplo, era extremamente decorada, ao longo do seu comprimento, com fileiras de animais (leões, patos ou esfinges). Estes podiam ser soldados no corpo da jóia ou então trabalhados em relevo. A fibulae foi largamente utilizada praticamente em todas as regiões, durante a antiguidade. Um exemplar persa, também do século VII AC, é decorado com uma mão, fazendo às vezes de alfinete de segurança e dois leões. Os etruscos também utilizaram a fibulae, em tamanhos maiores e decoradas com granulações e figuras de animais em relevo. As conquistas romanas disseminaram o uso da fibula por toda o norte da Europa. Isto permitiu, com o passar dos tempos, no aparecimento de broches cada vez mais elaborados. Por volta da idade média, a fibulae já tinha caído em desuso na Europa.

BriocheTaraOs broches têm sido confeccionados nas mais variadas formas e tamanhos. um broche comprido que lembrava a fibulae foi utilizado por toda a Europa, do Mar Negro até a Inglaterra, diferindo apenas na ornamentação e no design, de região para região. O broche característico dos francos era a roseta, também chamada de broche circular, ricamente decorado com filigranas. Inicialmente, os povos escandinavos desenvolveram broches baseados na fibulae, mas por volta de 550 DC seus broches passaram a ter identidade singular: os broches do tipo tortoise (século VII DC até início do século XI), trevo (séculos IX a XI) e circular eram geralmente decorados com desenhos simétricos de grande beleza. A decoração em cloisonné e filigrana foi introduzida na Inglaterra pelas tribos teutônicas. com a introdução do cristianismo, aparecem broches em forma de cruzes pendentes, nos quais era evidente a influência carolíngia e bizantina. Um dos mais antigos e singulares exemplares do início da idade média é o broche celta ‘tara’, encontrado nas costas da Irlanda. datado provavelmente do século VII DC, foi confeccionado em bronze branco e consiste em um grande círculo no qual metade do centro é vazada e a outra metade é preenchida por pequenos painéis delicadamente decorados com filigrana. Através de toda a idade média, o broche continuou a ser largamente usado, freqüentemente na forma de um anel no qual o tecido passava pelo centro da peça e era preso por um pino.

Com o passar do tempo e o surgimento de novas técnicas na confecção de jóias, surgiram outras variedades de broches. durante o renascimento, a utilização de jóias se espraiou por toda a Europa. Reis, rainhas, duques e príncipes competiam para mostrar quem se adornava mais ricamente com jóias espetaculares, e o broche foi uma das vedetes desta competição. Podiam ser decorados com gemas coloridas, ou só com pérolas e diamantes, ou ainda, associados a um camafeu. Podiam também ter a forma de estrelas, pássaros, crescentes, animais, folhas, flores e vegetais. Durante o período seguinte, o barroco, a flora foi o grande tema da joalharia, e os broches seguiram a tendência, enfeitando chapéus masculinos e as mangas, os corpetes e os cabelos dos vestidos femininos.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br