O broche desenvolveu-se da antiga fivela
greco-romana chamada fibula. A fibula era
uma fivela, usada pelos antigos gregos e depois adotada
pelos romanos, para segurar e compor os trajes da época.
possuía várias formas, mas todas tinham o mesmo
mecanismo (alfinete de segurança). A fibulae grega
do século VII AC, por exemplo, era extremamente
decorada, ao longo do seu comprimento, com fileiras de
animais (leões, patos ou esfinges). Estes podiam ser
soldados no corpo da jóia ou então trabalhados em
relevo. A fibulae foi largamente utilizada
praticamente em todas as regiões, durante a antiguidade.
Um exemplar persa, também do século VII AC, é decorado
com uma mão, fazendo às vezes de alfinete de segurança
e dois leões. Os etruscos também utilizaram a fibulae,
em tamanhos maiores e decoradas com granulações e
figuras de animais em relevo. As conquistas romanas
disseminaram o uso da fibula por toda o norte da
Europa. Isto permitiu, com o passar dos tempos, no
aparecimento de broches cada vez mais elaborados. Por
volta da idade média, a fibulae já tinha caído
em desuso na Europa. Os
broches têm sido confeccionados nas mais variadas formas
e tamanhos. um broche comprido que lembrava a fibulae
foi utilizado por toda a Europa, do Mar Negro até a
Inglaterra, diferindo apenas na ornamentação e no design,
de região para região. O broche característico dos
francos era a roseta, também chamada de broche circular,
ricamente decorado com filigranas. Inicialmente, os povos
escandinavos desenvolveram broches baseados na fibulae,
mas por volta de 550 DC seus broches passaram a ter
identidade singular: os broches do tipo tortoise
(século VII DC até início do século XI), trevo
(séculos IX a XI) e circular eram geralmente decorados
com desenhos simétricos de grande beleza. A decoração
em cloisonné e filigrana foi introduzida na
Inglaterra pelas tribos teutônicas. com a introdução
do cristianismo, aparecem broches em forma de cruzes
pendentes, nos quais era evidente a influência
carolíngia e bizantina. Um dos mais antigos e singulares
exemplares do início da idade média é o broche celta
tara, encontrado nas costas da Irlanda.
datado provavelmente do século VII DC, foi confeccionado
em bronze branco e consiste em um grande círculo no qual
metade do centro é vazada e a outra metade é preenchida
por pequenos painéis delicadamente decorados com
filigrana. Através de toda a idade média, o broche
continuou a ser largamente usado, freqüentemente na
forma de um anel no qual o tecido passava pelo centro da
peça e era preso por um pino.
Com o passar do tempo e o surgimento de
novas técnicas na confecção de jóias, surgiram outras
variedades de broches. durante o renascimento, a
utilização de jóias se espraiou por toda a Europa.
Reis, rainhas, duques e príncipes competiam para mostrar
quem se adornava mais ricamente com jóias espetaculares,
e o broche foi uma das vedetes desta competição. Podiam
ser decorados com gemas coloridas, ou só com pérolas e
diamantes, ou ainda, associados a um camafeu. Podiam
também ter a forma de estrelas, pássaros, crescentes,
animais, folhas, flores e vegetais. Durante o período
seguinte, o barroco, a flora foi o grande tema da
joalharia, e os broches seguiram a tendência, enfeitando
chapéus masculinos e as mangas, os corpetes e os cabelos
dos vestidos femininos.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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