O comportamento do carbono na natureza sempre foi
um assunto fascinante e desafiador para os estudiosos da
Ciência Físico-Química.
Esse
elemento químico se apresenta sob as formas, amorfas,
lamelares e cristalinas, dependendo das condições de
pressão, de temperatura e da presença, ou não, do
oxigênio no momento de sua estruturação molecular.
O
grande fascínio para humanidade é a forma cristalina -
o enigmático e fascinante diamante, formado nas
profundezas da terra, sob alta pressão, temperaturas
elevadas e tempo de residência ou, melhor dizendo, tempo
de permanência naquelas condições para estruturação
das várias formas cristalinas. A maior ou menor pureza
do cristal depende da composição química do magma
vulcânico que envolve o cristal de diamante em
formação e do tempo de exposição do mesmo àquelas
condições.
As
principais formações cristalinas do carbono são
encontradas nos cones vulcânicos - os Kimberlitos, que,
com o passar dos milênios, submetidos à erosão e
metamosfismos diversos, liberam os cristais de diamante
para as áreas circunvizinhas, concentrando-os, por
ação da gravidade, nos leitos dos rios e cavidades
rochosas.
O
grande desafio para os pesquisadores foi a criação em
laboratório das condições idênticas da formação dos
cristais de diamante na natureza, sem deixar seqüelas,
isto é, pistas capazes de denunciar a intervenção do
homem.
Após
anos de pesquisas conseguimos criar em laboratório essas
condições, reproduzindo fielmente as condições do
magma vulcânico, no interior do Kimberlito, durante a
formação do cristal. Reproduzimos as condições
físicas e químicas do interior do vulcão mas,
logicamente, o fator tempo de contato (tempo de
exposição entre o magma e o diamante) é
importantíssimo e não temos condições de suprir esse
detalhe, por isso criamos um ambiente químico capaz de
acelerar as reações, entrando em ação a cinética
química, a aceleração das reações química para
compensar o fator tempo.
Aí
entram em ação os reagentes químicos especialmente
sintetizados para esse fim.
Esses
reagentes irão compensar o exíguo tempo de exposição,
catalisando e acelerando as reações físicas e
químicas, criando condições de limpeza e purificação
dos cristais e, muito importante, a perda em peso, quando
acontece, é da ordem da terceira casa decimal do
quilate. (Praticamente não há).
Entretanto,
os resultados do beneficiamento são sempre
imprevisíveis, dependem do sistema cristalino, da
formação e da origem da pedra, do tipo de pigmento
e das inclusões na rede cristalina formadora do cristal.
Nossa
experiência tem demonstrado que cada pedra fornece um
resultado diferente, como se o diamante tivesse
características próprias, pedra a pedra.
Diríamos
que não existem dois cristais de diamante capazes de
fornecer resultados idênticos.
Cada pedra é uma pedra, uma caixa preta
cujo resultado ou rendimento do tratamento é
imprevisível. Porém, sempre se observa valor econômico
agregado ao diamante após a operação de tratamento,
com a vantagem da impossibilidade de detecção em
laboratório de qualquer alteração do diamante
provocada pelo homem, exatamente por o processo utilizado
imitar a ação da natureza, havendo apenas uma
diferenciação no fator tempo para purificação do
diamante. O diamante industrial da região de Juina, por
exemplo, após tratamento, passa à fazenda fina com uma
valorização em torno de 1.000% (mil por cento).
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