Na obra, o artista
retrata sua visão sobre seu tempo, expressando
conhecimento e filosofia própria. A arte estimulante é
essencial na vida de todo ser perspicaz. Caminho de
auto-conhecimento, a criação conduz às experiências
mais genuínas. O talento desperta o supra-sensível que
há no homem, reconciliando-o com seu universo e suas
origens. A
joalheria contemporânea provém da arte e do ofício
tradicional; das mensagens transmitidas nas cores e nas
formas dos desenhos abstratos geométricos; e das
variantes conceituais avant-garde, delimitadas na
realização das peças. Portanto, faz-se necessário
aprender tanto as teorias de arte, quanto as práticas em
técnicas de ourivesaria, para experimentar novas
maneiras de expor pensamentos originais.
Diz-se
"joalheiro-artista", mas não
"escultor-artista", uma vez que a palavra
"joalheiro" está mais associada ao mundo dos
empresários do que ao de arte. No entanto, a jóia
artística, assim como a escultura, revela com clareza o
estilo de seu mentor.
Nas outras esferas de
arte, a concepção do artista sofre apenas a influência
do ambiente. Mas, na joalheria, o usuário também
caracteriza a obra, agregando-lhe novo valor. Sendo
assim, cria-se a interação entre a jóia, quem a usa e
quem a concebe. Designers exploram, cada vez mais,
o sensual nessa interação, como visto na transparência
sedutora das rendas no ouro.
O Design rebela-se
hoje contra os sistemas e seus desgastados símbolos de status.
Os temas, tal como a busca do homem por um equilíbrio
maior na natureza, não podem ser apenas reproduzidos por
artistas. Nos contextos, idéias e critérios são
estruturados nas composições. Na joalheria artística,
a peça única destaca-se por sua forma escultural. Na
joalheria industrial, essa característica onerosa
desaparece, comprometendo a força da expressão do
autor. Sendo assim, copia-se a aparência mas não a
intenção da mesma. O exclusivo perde o primordial: sua
originalidade. E esses produtos sem identidade, ou
melhor, sem personalidade, deixam de ser legítimos.
Conclui-se então que os
conceitos nas mensagens da criação autêntica
reverenciam a supremacia da natureza, a verdadeira fonte
de inspiração artística, onde a arte é um meio, não
um fim, para se buscar uma vida menos competitiva, porém
mais recompensadora.
Cada estilo,
uma identidade
Elementos básicos
compõem com maior eficiência as estruturas das jóias.
O escultural nos dá noções tridimensionais de
profundidade e o metal fosco, com ou sem texturas, nos
remete a suas origens. Na última coleção Objets
trouvés, cristalizações minerais ou solos concebidos
no ouro multicor, por exemplo, reconstituem a atmosfera
do hábitat natural das gemas, fazendo a alusão poética
da própria arte ser também feito da natureza.
Nas montagens,
colocações de diamantes e polimentos estratégicos
refletem os brilhos intensos. Apresentadas de maneiras
nada convencionais na joalheria, muitas vezes em bruto,
as pedras brasileiras irradiam de dentro os raios
luminosos que entram através das aberturas recortadas na
liga. Em harmonia nas composições, esses efeitos de luz
e sombra, assim como no chiaroscuro da pintura,
criam ilusões de espaço e movimento, destacando os
pontos importantes.
Os vocábulos são
insuficientes para se fazer a descrição precisa de um
objeto. As palavras formam uma linguagem e as imagens,
uma outra riquíssima, porém sem tradução.
Expressar-se com criatividade e desenvoltura,
comunicando-se através dos diversos meios, nos dá,
além de autoconfiança, uma sensação mais real de
liberdade.
A seguir, quatro
criações artísticas, com quatro propostas temáticas
distintas, mas apenas uma identidade, um estilo:

.
.
.
|