Os povos antigos da
Península Arábica prosperaram como ponto de
interseção das rotas de comércio do mundo, como
mercadores de seus próprios recursos naturais de
início incenso e mirra - e como compradores de
mercadorias de terras distantes. A Península, com o
florescimento do comércio, tornou-se porta de entrada
para o Oriente. As trocas comerciais passaram a envolver,
tempos depois, especiarias, sedas, marfim e outras
mercadorias preciosas com o Egito e os países que
bordejavam o Mediterrâneo. Com a prosperidade nesta região,
veio o gosto por adornos caros e feitos de materiais
preciosos. Não somente os ricos mercadores mas também
as mulheres das tribos beduínas eram grandes
consumidores de ornatos preciosos. Na tradição árabe,
as jóias representam mais do que uma ornamentação
corpórea. Para as mulheres beduínas, suas jóias
simbolizam status sócio- econômico : quando uma
mulher se casa, seu dote é parcialmente pago em jóias,
as quais ficam sob sua vontade exclusiva, para guardar ou
dispor como bem entender. Devido ao estilo de vida
migrante das tribos beduínas, as jóias logo se tornaram
uma forma segura de transportar riquezas. As jóias de
uma mulher simbolizam seu status de mulher casada e mais
tarde, o de mãe de família, já que o costume tribal é
de se presentear a mãe a cada nascimento de um filho.
Na cultura árabe, as
jóias têm sido consideradas como possuidoras de poderes
mágicos. A turquesa, por exemplo, teria o poder de
evitar o mau-olhado. Diz uma lenda popular que a turquesa
teria a capacidade física de resplandecer quando quem a
usa está feliz e de se tornar opaca quando a pessoa
está triste. Outro mito popular seria o de que os
pequenos sinos vistos tão freqüentemente em várias
jóias árabes protegeriam, com o barulho que emitem ao
serem movimentados, de espíritos ruins. Pelos costumes
árabes, a cor de certas pedras também teria poderes
especiais. Verde, azul e vermelho são consideradas cores
protetoras. Por esta razão, a turquesa, a ágata, o
coral e pastas de vidro coloridas nestas cores estão
dentre os mais populares materiais utilizados em jóias
antigas.
Motivos islâmicos
permeiam o design das jóias árabes. Jóias em forma de
amuletos, contendo minúsculos pedaços de papel com
versos do Alcorão são comuns. O desenho de uma mão em
colares sauditas tem sido usado como talismã por
centenas de anos. O número 5 é o equivalente
matemático à mão, assim como também representa os
cinco mandamentos do Alcorão.
Ao contrário das mulheres, os homens
árabes preferem ornar suas armas e camelos do que eles
próprios. Tais ornamentos são considerados uma
indicação visual da riqueza, do poder e do status de um
homem. Na tradição islâmica, o Alcorão desencoraja a
utilização de adornos em ouro pelos homens. Os modernos
sauditas utilizam alianças de casamento em prata, para
honrar o costumes descrito no livro sagrado.
As crianças árabes
também utilizam jóias. Braceletes ou tornozeleiras
feitos em prata , freqüentemente decorados com
minúsculos sinos, são a escolha mais popular para
presentear as crianças. Os som dos sinos, além da
crença da proteção, providenciam também uma fonte de
entretenimento para os pequenos.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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