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A HISTÓRIA DA JOALHERIA BRASILEIRA
1ª Parte


Julieta Pedrosa*


Os mais de sete mil anos da da joalheria acompanham o progresso e as transformações sociais, culturais e religiosas da História do Homem, e o Brasil tem sua importante parcela dentro desta história que continua acontecendo.

As viagens patrocinadas por portugueses e espanhóis no final do século XV afetaram significativamente o comércio de gemas ocidental. A descoberta do Novo Mundo por Colombo em 1492 aumentou o comércio de esmeraldas, e imensas quantidades de prata e ouro descobertas em minas da América do Sul trouxeram enorme fortuna à Espanha e a Portugal. Com a descoberta do Cabo da Boa Esperança em 1498, e uma conseqüente passagem oceânica para a Índia e suas minas de diamantes, Lisboa gradualmente tomou o lugar de Veneza como o principal porto de chegada de tão valiosa mercadoria.

Nos primeiros séculos desde o Descobrimento em abril de 1500, a História da Joalheria Brasileira é um retrato fiel do que acontecia na Europa. No século XVI, os portugueses chegaram à costa brasileira e encontraram as tribos indígenas, que se adornavam com penas de pássaros coloridas, sementes e ossos de animais ou aves.

O Renascimento era o estilo em voga na Europa no século XVI. As jóias renascentistas criadas incluíam peças históricas decoradas com esmaltes e pedras preciosas, cujo nível artístico é comparado aos da pintura e da escultura do mesmo período: artistas como Hans Holbein, Albrecht Dürer e Benvenuto Cellini eram contratados por mecenas para desenhar peças que estimulassem os ourives renascentistas a chegar a níveis nunca antes alcançados nas técnicas de esmaltação, gravação e cravação.

Pendentes - Brasil - sec XVIO Brasil ainda estava no início da sua história e as jóias aqui usadas por homens e mulheres eram muito raras, mas as poucas que existiam já evidenciavam a moda vinda de Portugal e de outros países europeus. Não havia, ainda, uma tradição de ourivesaria no país: as raras peças vinham de fora. As jóias femininas, com o abandono dos complicados penteados medievais e dos novos ares renascentistas, tornaram-se mais leves: fivelas para sapatos, anéis e brincos - curtos no início do século XVI, e depois mais longos - eram os preferidos. Os cabelos eram presos e trançados com pérolas ou pequenos adornos em ouro ou pedras preciosas e usava-se a ferronière, broche adornando a testa e preso à cabeça por uma fita.

Os colares passaram a ser curtos, confeccionados em pérolas e com um broche à guisa de pendente, mas também eram usadas longas correntes feitas em ouro que podiam ser presas ao corpo dos vestidos, nas mulheres, e ao pescoço ou cruzadas nos ombros, para os homens. Estes usavam também anéis, fivelas decoradas em ouro para sapatos, broches nos chapéus e somente um brinco, moda criada pelo rei francês Francisco I, que se estendeu por toda a Europa e também pelas Américas.

Raríssimas nesta época no Brasil eram as vestimentas masculinas e femininas que podiam ser decoradas com as aiguillettes (agulhinhas), pequenos e finos ornamentos em ouro. Os principais motivos decorativos das jóias eram os devocionais – simples cruzes, monogramas contendo as letras IHS e, também, peças mais complicadas em sua confecção: pequenas esculturas que simbolizavam, por exemplo, a Virgem e o Menino, e as que retratavam navios, símbolos náuticos ou mitológicos como sereias e monstros marinhos. Broches e pendentes em camafeu eram também apreciados por homens e mulheres, mas raríssimas foram as jóias com este adorno no Brasil colonial do século XVI.



*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br