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A ARTE DA JOALHERIA CONTEMPORÂNEA


Cathrine Clarke*




Anos 80
Esses anos são também conhecidos como: “a década do design”. Novas lapidações com formas inovadoras e geométricas suavizaram a joalheria minimalista que veio para ficar, tornando-se mais do que apenas uma tendência. Artistas-joalheiros tiveram a partir dessa data a oportunidade de participar de exibições internacionais, tais como a Ornamenta 1 e a Documenta  8, conhecendo outras culturas. O sul-africano Daniel Kruger, por exemplo, utilizava gemas brutas na sua joalheria que surtiam mais efeito do que os materiais sintéticos e reciclados explorados por muitos no período. O alemão Manfred Bischoff (Fig.9) usou elementos da arte grafite nos seus trabalhos, ao lado de referências da arquitetura e história de arte. A americana Arline Fisch desenvolveu suas peças a partir de noções de crochê, tricô e tear, enquanto a inglesa Cathrine Martin fez pesquisas sobre a arte milenar japonesa de trançar para se inspirar.
Repensando o sentido da função da jóia, as obras no final dos anos 80 do alemão Gerd Rothman buscavam incorporar marcas pessoais do dono, tais como suas impressões digitais ou texturas de pele. Já Bettina Speckner, sua conterrânea, com seu Aide Memoire, criou através de registros em fotos, elos de ligação com as lembranças afetivas dos usuários. Técnicas tradicionais de ourivesaria foram reinterpretadas e reinventadas de tal forma que as mudanças no período modificaram em definitivo o rumo e os conceitos da joalheria contemporânea.

Anos 90
As jóias das indústrias e grandes marcas passaram a se identificar cada vez mais com a moda, regida pelos atributos físicos dos materiais, em detrimento de estilos. Giampaolo Babetto, (Fig.10) inspirado pelas proporções dos arquitetos Palladio e Mies van der Rohe (responsável pela famosa frase: “menos é mais”), exerceu grande influência sobre essa geração de artistas-joalheiros. Para o professor neoconstrutivista da Escola de Pádua, a jóia de arte deve poetizar a técnica, minimizando seus efeitos. Pessoas mais conscientizadas social e culturalmente sempre se encantarão com as obras de grandes mestres, tais como: a alemã Angela Hube, com seus anéis arrojados de conteúdos cognitivos; o casal alemão Tom e Jutta Munsteiner (Fig.11), com designs cleans criados por Jutta, a partir das gemas esculpidas artisticamente por Tom, destacando características únicas; o minimalista Roberto Smit (Fig.12), com sua linguagem formal espirituosa, extremamente original; e o nascido em Marrocos, mas estabelecido na Alemanha,
Michael Zobel (Fig.13), por suas inventivas técnicas de solda de ligas diversas, que criam novas possibilidades na joalheria, entre muitos outros nomes.  

Século XXI
O novo milênio era antecipado como a era das linhas puras, da alta tecnologia... Mas fomos todos surpreendidos mais uma vez com o rococó do barroco. Artistas fazem releituras dos desenvolvimentos do passado e passado recente para fugir das dificuldades do presente. Computador e globalização, por exemplo, derrubando fronteiras, passaram a aumentar a quantidade, mas não necessariamente a qualidade das informações. No entanto, a arte só evolui através das experimentações e pesquisas comprovadamente investigativas. Todo novo
conhecimento adquirido por um artista amplia sua visão criadora e poética. Modificações que ocorrem na sociedade e nos meios da academia e produção são refletidas também na joalheria de arte, uma vez que artistas criam mensagens de conteúdo social e político, que vão além dos valores estéticos, não importa quais sejam os materiais explorados. Os artistas-criadores que se destacarem nesses primeiros anos do milênio só se tornarão conhecidos no final da próxima década, quando tiver transcorrido o tempo necessário para uma avaliação mais precisa. Mas já constatamos que símbolos capitalistas de status deixaram de ser objetos de desejo dos consumidores, que agora buscam por identificações com resgates mais afetivos. Mesmo assim, a ênfase hoje no cenário da jóia é ainda dada às formas orgânicas com cores de tons fortes, que apelem para sensualidade e erotismo. Quaisquer que sejam os caminhos do futuro, a obra conceitual será sempre uma fonte de prazer, porque a arte se relaciona com os estados psicológicos do homem: seus sentimentos, seu gosto, sua sensibilidade. Na arte, o poder de fascinar e inspirar tem que inventar o por fazer e como fazer de forma original, isto é, sem revivals.

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*Cathrine Clarke (Fig.14) tem seu atelier em Ipanema, a Kate’s Jewelry. Designer formada em Letras, estudou Ourivesaria, Design de Jóias, Modelagem em Cera, Gemologia e hoje se dedica ao aprendizado das Teorias de Arte. Em 2003 foram exibidas “Jóias-esculturas”, no Jóia Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e “Jóias-pinturas”, nas exposições itinerantes do Jóias da Cor do Brasil, em São Paulo e Brasília, que serão mostradas na Europa e nos EUA, no decorrer desse ano. Premiada internacionalmente por Design de Pérolas 2001 do governo do Japão e por “Achievements in Inventiveness 2002” do grupo suíço Europa Star, Kate escreve ainda para a revista Ventura sobre a joalheria de arte. Para mais informações, acesse o site www.katesjewelry.com.br.