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A ARTE DA JOALHERIA CONTEMPORÂNEA


Cathrine Clarke*




Os precursores da joalheria de arte contemporânea
Em curto prazo, as múltiplas idéias revolucionárias das artes visuais interferiram, marcando em definitivo, com suas novas descobertas, a arte tradicional da joalheria. A primeira grande mostra de jóias contemporâneas foi em 1961 no Goldsmiths’ Hall de Londres. Essa exibição deu impulso ao movimento de que o uso de recursos alternativos na joalheria não se traduz em insignificância artística. Verificava-se na época, quanto mais valorosa fosse uma gema, menos imaginativa e estética era sua cravação, visando fins lucrativos. Falta de ouro e outros materiais preciosos na Alemanha Oriental, fizeram com que seus artistas recorressem aos sintéticos e reciclados para compor suas peças, como ocorrera no período Art Nouveau e Déco. O surgimento de algumas galerias só para jóias de arte foi oportuno, coincidindo com a atribuição de qualidades formais a essa joalheria, isto é, o artista-criador passou a ter sua autoria reconhecida. Foi inaugurado também em 1961 o primeiro museu de joalheria de arte em Pforzheim – o renomado Schmuckmuseum.

Anos 60
Nos primeiros anos da década, pintores abstratos expressionistas influenciaram o trabalho assimétrico e orgânico dos ingleses John Donald e Andrew Grima. Outros precursores desse período são: os alemães Klaus Ullrich (Fig.1), com uso de ouro revenido nas suas jóias primeiro abstratas e depois geométricas, e Ebbe Weiss-Weingart, por suas texturas investigativas que enaltecem a utilização de recursos naturais; o escultor italiano Arnaldo Pomodoro (Fig.2), do movimento Informal, com seus relevos e elementos reduzidos a tensão mecânica que se transforma em tensão visual; os holandeses e artistas pop Gijs Bakker e sua mulher Emmy van Leerson, por suas jóias de dimensões macroscópicas, baseadas nos conceitos da Body Art que consideram o corpo um meio de comunicação; e a designer criativa, lapidadora de gemas com formas mais livres e autora de jóias, nascida na Áustria mas radicada na Inglaterra, Gerda Flöckinger (Fig.3). Foram seus o primeiro curso de joalheria experimental ministrado em escola de arte e a primeira exposição solo de jóias em 1971 no Victoria & Albert Museum.

Anos 70
Não há divisão entre as décadas, apenas a continuidade dos processos em desenvolvimento. Inaugurou-se no início dos anos 70 a famosa Escola de Joalheria Contemporânea de Pádua, fundada por Mário Pinton, Giampaolo Babetto e Francesco Pavan.
Rejeitando símbolos conservadores, as substâncias poveras, como os sintéticos, foram introduzidas na joalheria, pelo holandês Robert Smit, citado mais adiante, e pelo alemão Claus Bury, que deu aulas na América, Austrália, Inglaterra e em Israel. O público curioso passou a freqüentar ateliers e galerias. Diversos artistas tornaram-se célebres nessa época: o engenheiro alemão Friedrich Becker (Fig.4), que lançou nas suas peças a arte da cinestesia, fazendo com que as obras se movessem de acordo com os movimentos do usuário; o japonês Yasuki Hiramatu, por seu domínio da arte da ourivesaria e suas idéias singulares, como a alusão que fez ao “papel amassado” no ouro; o alemão Peter Skubic, que ganhou sua reputação por dominar, mesclando com maestria, geometria e tecnologia; o casal inglês David Watkins e Wendy Ramshaw, com suas formas abstratas multicor, minimalistas e high-tech; o alemão Reinhold Reiling (Fig.5), construtivista influenciado pelo tachismo, que foi um dos primeiros a transpor para a joalheria os princípios das artes visuais; o suíço Othmar Zschaler (Fig.6), com suas jóias instigantes que sobrepõem várias camadas em ouro; o escultor italiano Bruno Martinazzi, (Fig.7) por suas peças conceituais ergonômicas, com caimentos perfeitos, que tratam das questões tridimensionais; e o alemão oriental Hermann Jünger (Fig.8), que redefeniu a joalheria de arte usando elementos de desenho e pintura coloridos por gemas, baseados nos ideais modernistas da Bauhaus. Várias obras suas poéticas, apresentadas em displays especiais, são montadas por quem as usa de acordo com a ocasião.

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*Cathrine Clarke (Fig.14) tem seu atelier em Ipanema, a Kate’s Jewelry. Designer formada em Letras, estudou Ourivesaria, Design de Jóias, Modelagem em Cera, Gemologia e hoje se dedica ao aprendizado das Teorias de Arte. Em 2003 foram exibidas “Jóias-esculturas”, no Jóia Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e “Jóias-pinturas”, nas exposições itinerantes do Jóias da Cor do Brasil, em São Paulo e Brasília, que serão mostradas na Europa e nos EUA, no decorrer desse ano. Premiada internacionalmente por Design de Pérolas 2001 do governo do Japão e por “Achievements in Inventiveness 2002” do grupo suíço Europa Star, Kate escreve ainda para a revista Ventura sobre a joalheria de arte. Para mais informações, acesse o site www.katesjewelry.com.br.