Os
precursores da joalheria de arte contemporânea
Em
curto prazo, as múltiplas idéias revolucionárias das
artes visuais interferiram, marcando em definitivo, com
suas novas descobertas, a arte tradicional da joalheria.
A primeira grande mostra de jóias contemporâneas foi em
1961 no Goldsmiths Hall de Londres. Essa exibição
deu impulso ao movimento de que o uso de recursos
alternativos na joalheria não se traduz em
insignificância artística. Verificava-se na época,
quanto mais valorosa fosse uma gema, menos imaginativa e
estética era sua cravação, visando fins lucrativos.
Falta de ouro e outros materiais preciosos na Alemanha
Oriental, fizeram com que seus artistas recorressem aos
sintéticos e reciclados para compor suas peças, como
ocorrera no período Art Nouveau e Déco. O surgimento de
algumas galerias só para jóias de arte foi oportuno,
coincidindo com a atribuição de qualidades formais a
essa joalheria, isto é, o artista-criador passou a ter
sua autoria reconhecida. Foi inaugurado também em 1961 o
primeiro museu de joalheria de arte em Pforzheim o
renomado Schmuckmuseum.
Anos
60
Nos primeiros anos da década, pintores
abstratos expressionistas influenciaram o trabalho
assimétrico e orgânico dos ingleses John Donald
e Andrew Grima. Outros precursores desse período
são: os alemães Klaus Ullrich (Fig.1), com uso
de ouro revenido nas suas jóias primeiro abstratas e
depois geométricas, e Ebbe Weiss-Weingart, por
suas texturas investigativas que enaltecem a utilização
de recursos naturais; o escultor italiano Arnaldo
Pomodoro (Fig.2), do movimento Informal, com seus
relevos e elementos reduzidos a tensão mecânica que se
transforma em tensão visual; os holandeses e artistas
pop Gijs Bakker e sua mulher Emmy van Leerson,
por suas jóias de dimensões macroscópicas, baseadas
nos conceitos da Body Art que consideram o corpo um meio
de comunicação; e a designer criativa, lapidadora de
gemas com formas mais livres e autora de jóias, nascida
na Áustria mas radicada na Inglaterra, Gerda
Flöckinger (Fig.3). Foram seus o primeiro curso de
joalheria experimental ministrado em escola de arte e a
primeira exposição solo de jóias em 1971 no Victoria
& Albert Museum.
Anos
70
Não há divisão entre as décadas, apenas a
continuidade dos processos em desenvolvimento.
Inaugurou-se no início dos anos 70 a famosa Escola de
Joalheria Contemporânea de Pádua, fundada por Mário
Pinton, Giampaolo Babetto e Francesco Pavan. Rejeitando símbolos conservadores, as
substâncias poveras, como os sintéticos, foram
introduzidas na joalheria, pelo holandês Robert Smit,
citado mais adiante, e pelo alemão Claus Bury,
que deu aulas na América, Austrália, Inglaterra e em
Israel. O público curioso passou a freqüentar ateliers
e galerias. Diversos artistas tornaram-se célebres
nessa época: o engenheiro alemão Friedrich Becker
(Fig.4), que lançou nas suas peças a arte da
cinestesia, fazendo com que as obras se movessem de
acordo com os movimentos do usuário; o japonês Yasuki
Hiramatu, por seu domínio da arte da ourivesaria e
suas idéias singulares, como a alusão que fez ao
papel amassado no ouro; o alemão Peter
Skubic, que ganhou sua reputação por dominar,
mesclando com maestria, geometria e tecnologia; o casal
inglês David Watkins e Wendy Ramshaw, com
suas formas abstratas multicor, minimalistas e high-tech;
o alemão Reinhold Reiling (Fig.5), construtivista
influenciado pelo tachismo, que foi um dos primeiros a
transpor para a joalheria os princípios das artes
visuais; o suíço Othmar Zschaler (Fig.6), com
suas jóias instigantes que sobrepõem várias camadas em
ouro; o escultor italiano Bruno Martinazzi,
(Fig.7) por suas peças conceituais ergonômicas, com
caimentos perfeitos, que tratam das questões
tridimensionais; e o alemão oriental Hermann Jünger
(Fig.8), que redefeniu a joalheria de arte usando
elementos de desenho e pintura coloridos por gemas,
baseados nos ideais modernistas da Bauhaus. Várias obras
suas poéticas, apresentadas em displays especiais, são
montadas por quem as usa de acordo com a ocasião.
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*Cathrine Clarke (Fig.14)
tem seu atelier em Ipanema, a Kates Jewelry.
Designer formada em Letras, estudou Ourivesaria, Design
de Jóias, Modelagem em Cera, Gemologia e hoje se dedica
ao aprendizado das Teorias de Arte. Em 2003 foram
exibidas Jóias-esculturas, no Jóia Brasil,
no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e
Jóias-pinturas, nas exposições itinerantes
do Jóias da Cor do Brasil, em São Paulo e Brasília,
que serão mostradas na Europa e nos EUA, no decorrer
desse ano. Premiada internacionalmente por Design de
Pérolas 2001 do governo do Japão e por
Achievements in Inventiveness 2002 do grupo
suíço Europa Star, Kate escreve ainda para a revista
Ventura sobre a joalheria de arte. Para mais
informações, acesse o site www.katesjewelry.com.br.
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