A
reflexão sobre a obra de arte
Na
joalheria, complementam-se os estudos de design com a
educação artística. As teorias dos cursos de artes
visuais contribuem para a formação da opinião
crítica. Já as técnicas de prática são ensinadas
através das obras dos grandes mestres, para que o
aprendiz, a partir do seu ponto de vista, descubra o
próprio caminho. O estilo é o modo como cada um dispõe
elementos formais que criam a sintaxe da imagem, ou
melhor, seu arranjo da linha, forma, cor, luz e sombra,
textura e espaço. Todo profissional deve sempre se
atualizar, pesquisando novos campos ligados à sua área,
para aprimorar seus conhecimentos. A reflexão sobre a
arte é filosófica, teorizando a experiência do
poético na criação artística. Analisa-se uma obra de
qualidade considerando as várias metodologias da
história de arte: formalismo (aspectos formais),
iconografia (temas da arte figurativa), marxismo (fatores
econômicos e sociais), feminismo (condição da mulher),
semiótica (símbolos e signos), biografia e
autobiografia (vivência e expressão do artista), ou
psicanalítica (inconsciente do autor).
A
estética da jóia de arte
A joalheria
da antigüidade era representada por amuletos. A
contemporânea é orientada por símbolos culturais e
poéticos, de acordo com os desenvolvimentos em todos os
setores de arte que, por sua vez, provém dos processos
de evolução do homem. Essencial na poesia, a metáfora
é a linguagem das imagens. Símbolos e metáforas
diferem, mas se interligam, ao evocar e narrar. Para se
avaliar a estética de uma jóia, que lida com as
questões das artes liberais, considera-se a essência do
design, buscando por estruturas poéticas tanto na
concepção, quanto na composição da peça, e por
elementos metafóricos e/ou simbólicos significativos.
Na joalheria, materiais alternativos são experimentados
na medida em que reafirmam as intenções nas mensagens
artísticas.
Os
conceitos que deram origem à joalheria contemporânea
Enquanto a
arte moderna se atém às convenções, a arte
contemporânea transborda seus limites. Cubismo e
surrealismo foram os principais movimentos da arte
moderna no século XX. Mas na joalheria atual predominam
desenvolvimentos modernos posteriores, voltados para
clareza e objetividade, aqui resumidos:
Purismo teve no francês Le Corbusier
(Charles-Edouard Jeanneret) seu precursor. O arquiteto
publicou seu manifesto Após o cubismo, preconizando o
retorno às formas mais simples reduzidas. Forma, linha e
cor eram vistas por puristas como elementos de uma
linguagem que não mudam de cultura para cultura, porque
se baseiam em reações óticas invariáveis. Afirmavam
também que a máquina pode criar uma peça com planos
tecnológicos, mas jamais produzirá uma obra de arte,
já que não existe valor constante na tecnologia.
De Stijl, movimento dos holandeses
influenciados pela filosofia de Schoenmaekers, destacava
a importância das cores primárias, da linha horizontal
e vertical, como vemos nas obras de Piet Mondrian,
imigrante americano em 1938. O termo neoplasticismo
foi criado pelo pintor, para designar o austero estilo de
abstração geométrica, que considerava um ideal de
harmonia universal.
Construtivismo provém da arte abstrata
e seus artistas passaram a abstrair a partir das formas
geométricas, ao invés da natureza. Fundado por
Vladímir Tatlin e Alexander Rodchenko, autores do
manifesto Realista, entre outros, exerceram grande
influência sobre a instituição Bauhaus
da Alemanha, no que concerne a noção que faz prevalecer
a importância da funcionalidade, em detrimento do
decorativo, e que o artista, isso é, o designer,
deve ocupar seu lugar ao lado do cientista e engenheiro,
fundindo conteúdo e formas simples com modernos recursos
tecnológicos.
Arte cinética, termo usado pela
primeira vez no manifesto Realista em 1920, só se
estabeleceu entre as categorias reconhecidas de
classificação crítica nos anos 50. Os artistas criam a
impressão do movimento por meio da ilusão, enquanto os
cinéticos fazem o oposto: produzem a ilusão através do
movimento ritmado, que pode gerar ainda outra forma de
volume sem massa no espaço.
Arte conceitual refere-se a diversas
formas e manifestações de arte. Aspecto comum a todas
elas é o princípio aristotélico, afirmando que a
verdadeira obra de arte não é o produto
físico elaborado pelo artista, mas sim a idéia
ou o conceito. Sendo assim, a idéia
não precisa ser concretizada, bastando ser apenas uma
atitude.
Expressionismo abstrato compreendeu o
movimento formal de arte abstrata que creditava ao
desenho, a geração da imagem reconciliada com a
técnica, e à pintura, a reafirmação da superfície
plana da tela. Seus expoentes principais são o russo
Wassily Kandinsky e, após a Segunda Guerra Mundial, o
pintor armênio que morava em Nova Iorque Arshile Gorky e
o americano Jackson Pollock, esse último inventor da
Action Painting. Foi o primeiro desenvolvimento dos EUA
que acabou influenciando pintores de diversos países
europeus no final da década de 50 e ao longo dos anos
60.
Minimalismo, inspirada na tendência da
escultura abstrata norte-americana, buscou reduzir todos
os efeitos expressivos a umas poucas categorias formais
que, por sua vez, se integram ao espaço circundante. Sua
impessoalidade é vista como uma reação ao excesso de
emoção no expressionismo abstrato.
--->próxima
|
*Cathrine Clarke (Fig.14)
tem seu atelier em Ipanema, a Kates Jewelry.
Designer formada em Letras, estudou Ourivesaria, Design
de Jóias, Modelagem em Cera, Gemologia e hoje se dedica
ao aprendizado das Teorias de Arte. Em 2003 foram
exibidas Jóias-esculturas, no Jóia Brasil,
no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e Jóias-pinturas,
nas exposições itinerantes do Jóias da Cor do Brasil,
em São Paulo e Brasília, que serão mostradas na Europa
e nos EUA, no decorrer desse ano. Premiada
internacionalmente por Design de Pérolas 2001 do governo
do Japão e por Achievements in Inventiveness 2002
do grupo suíço Europa Star, Kate escreve ainda para a
revista Ventura sobre a joalheria de arte. Para mais
informações, acesse o site www.katesjewelry.com.br.
|