Em
muitos momentos o Artesanato puro traz valores culturais em sua
expressão. Comumente estes produtos são incorporados
às diversas expressões de arte, como esculturas,
utilitários e objetos de uso pessoal, com bolsas, colares.
Com a urgência contemporânea e a necessidade de ampliar
a quantidade de produtos oferecidos como fator de competitividade,
vimos ao longo de anos, principalmente nos últimos 20 anos,
no Brasil, surgirem coleções de jóias que
se tornam tendências de mercado; que ousam em sua criação,
que além de pedras e metais nobres, incorporam outros materiais,
conhecidos como menos nobres, mas de representatividade imensa.
É
o caso das sementes que deram origem a Biojóia e, neste
mesmo caminho, encontramos o uso da palha de coqueiros, de palmeiras
e outras fibras naturais. Os indígenas desde sempre fizeram
uso destas matérias primas com maestria, criando adornos
com características expressivas de sua cultura e especiais
em sua forma e técnicas.
Em
paises onde o trabalho artesanal tem valorização
extrema, como os Estados Unidos, Canadá e muitos outros
da Europa, a incorporação de artesanatos existentes
as jóias nos faz encontrar trabalhos enriquecedores. Como
exemplo podemos encontrar o trabalho de cestaria indígena
sendo usado em criações de joalheria ou mesmo o
tipo de técnica de trançado feito em metal nobre,
numa convivência pacifica e maravilhosa.
No
Brasil, no Projeto de Artesanato da Bahia (Prisma), onde iniciamos
este tipo de artesanato e hoje em todos os outros Estados onde
levamos este trabalho, tenho a oportunidade de deparar-me com
uma diversidade grande de tipos de artesanato e, maior ainda,
de materiais - podendo algumas vezes incorporá-los ao meu
trabalho.
Trabalhamos
com os artesãos de cada localidade o uso conjunto do que
já produzem com o Artesanato Mineral, que seguimos implantando,
buscando assim a inserção do design, principalmente
com foco na comercialização, fator decisivo para
a autosustentabilidade destes grupos. No entanto, buscamos que
este trabalho preserve suas origens e identidade.
Muitas
tendências surgiram dos felizes encontros de designers e
artesãos nativos de regiões longínquas, como
o trabalho da designer Mary Hettmansperger. Tenho gratas lembranças
como a de ver um artesão do agreste nordestino abrir seu
largo sorriso e literalmente pular de um lado para o outro em
sua pequena oficina ao ver a interferência realizada em
seu artesanato que utiliza pequenas esculturas produzidas com
madeiras encontradas em regiões rurais e mandalas feitas
de palhas trancada, retiradas das palmeiras de licuri. O mais
incrível foi vê-lo descrever o projeto pensado, com
grande sensibilidade, que usava poucas pedras para valorizar a
arte dele. Esta interação nos glorifica como profissionais!
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