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PÁTINA EM ART CLAY


Priscilla Vassão*




Uma peça feita em Art Clay é formada por 99,9% prata pura após a queima. Por não possuir outros metais como o cobre em sua composição, a peça em Art Clay costuma ter um brilho mais branco se comparado à prata comum (que possui entre 5 e 7,5% de cobre ou outros metais), além de não apresentar os chamados “fantasmas” ou manchas de fogo (manchas avermelhadas ou marrons que aparecem na superfície da prata em liga após seu aquecimento, não costumam sair em banhos ácidos e precisam ser retiradas através de tratamento térmico ou abrasão). No entanto, como toda prata, a Art Clay está sujeita à oxidação e pode vir a escurecer com o tempo, mais rapidamente se for mantida em ambiente com atmosfera poluída ou rica em enxofre.

Há diversas maneiras de se limpar as peças de prata oxidadas, como os líquidos, pastas e flanelas próprios para este fim. Outra opção é a decapagem eletrolítica, que apesar do nome complexo trata-se de mergulhar as peças em uma solução morna de bicarbonato de sódio dentro de uma panela de alumínio ou forrada com papel-alumínio.

Apesar de ser um problema para muitas pessoas, a possibilidade de oxidar propositadamente uma peça em prata amplia em muito a gama de acabamentos possíveis para as nossas peças. A oxidação serve para ampliar a profundidade de detalhes e o contraste entre partes altas e baixas na topografia de uma jóia, e faz um par perfeito com o acabamento escovado ou acetinado que muitos designers parecem preferir ao tradicional polido espelhado e branco.


“Last Spirit of the Forest” por Gordon K. Uyehara – Art Clay Silver, óxido de prata

A oxidação é tradicionalmente feita com “óxido de prata” comercial, mas também pode ser obtida com líquidos à base de cloro e enxofre. Um material muito utilizado é a Potassa Sulfurada, conhecida no exterior como “Liver of Sulfur”. Esse material é composto de sais de potássio e enxofre, e apresenta-se em cristais amarelo-esverdeados ou em solução de cor âmbar amarelada, com forte cheiro de ovo podre. Apesar da apresentação pouco atraente, a potassa sulfurada tem a capacidade de produzir uma pátina na prata pura com lindos efeitos iridescentes, com cores que variam por todo o espectro das cores do titânio: amarelo, magenta, verde, lilás, tons de azul, cinza e preto-azulado.


Lora Hart – prata 1000, pátina de potassa sulfurada no pingente e contas de prata

A pátina feita com potassa sulfurada não é resultado de ciência exata, e muitos dos mais belos resultados aparecem como fruto do imprevisto. No entanto, há alguns elementos que nos permitem se não prever, pelo menos tentar controlar, por tentativa, erro e conserto, o resultado final.


Laura Hastings – prata 1000, keum-boo, pátina de potassa sulfurada

A peça que irá receber a pátina deve estar limpíssima, sem qualquer resquício de oleosidade ou elementos químicos estranhos. A superfície também tem um papel importante no resultado: peças escovadas tendem a apresentar um “mix” de cores, enquanto peças lisas e polidas podem ter um resultado que se assemelha às cores de óleo sobre a água.
A potassa sulfurada deve estar bastante diluída (um cristal do tamanho de uma unha, ou algumas gotas da potassa líquida, para um copo de água). A solução deve ser aquecida, ou a peça a receber a pátina pode ser aquecida. Algumas gotas de amônia ampliam o espectro de cores. A peça deve ser mergulhada e rapidamente enxaguada, e esse processo deve ser repetido até que se obtenha a cor desejada. Uma solução mais diluída reage mais lentamente, mas permite maior controle sobre as cores. Uma solução mais concentrada leva rapidamente à cor preta.

Após atingida a cor desejada, a peça deve ser lavada em uma solução de água fria ou gelada e bicarbonato de sódio, para cessar o efeito do óxido. Para proteger a pátina, pode-se aplicar uma camada de cera líquida (como cera automobilística, ou uma mistura de 50/50 de cera de abelha e fluido de isqueiro)

 


*Priscilla Vassão - diretora da Art Clay Brasil e instrutora sênior certificada pela Art Clay Japan. Ministra workshops e cursos introdutórios e de certificação em Art Clay. É arquiteta formada pela FAU-USP e autora de jóias.
Contato:
www.artclay.com.br - artclay@artclay.com.br

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