A joalheira
e nossa colega colunista Carmem Lombardi nos brinda todo mês
com um excelente artigo sobre esmaltação de jóias
a fogo. É hora de aproveitar suas dicas preciosas e colocá-las
em prática em peças feitas com Art Clay, dado que
o material apresenta diversas vantagens em relação
às ligas de prata na confecção de peças
que serão esmaltadas.
Uma
questão importante quando se considera esmaltar peças
em prata é que as ligas de prata com cobre costumam oxidar
quando expostas às altas temperaturas da esmaltação.
Para evitar que essa oxidação apareça através
dos esmaltes transparentes, é costume fazer na peça
um tratamento térmico que consiste na oxidação
e limpeza da prata através do seu aquecimento e seqüente
decapagem através de soluções de ácidos,
alúmen ou pó branqueador. O tratamento térmico
deve ser repetido de três a quatro vezes até que
a prata não mais oxide ao ser aquecida. Já uma peça
feita com Art Clay é uma cerâmica resistente de prata
pura após a queima, e a ausência de cobre faz com
que o tratamento térmico não seja necessário.
Outra
vantagem é que as peças feitas em Art Clay dispensam
a solda e tornam-se uma peça única e uniforme de
prata pura após a queima. Peças construídas
com ligas de prata utilizam solda em suas junções
e esse fato adiciona preocupação ao joalheiro, pois
as soldas podem fundir, enfraquecer ou até mesmo corroer
a peça de prata quando esta é exposta às
temperaturas de fusão do esmalte vítreo.

Técnica
mista de basse-taille e champlevé.
Pingente em Art Clay e esmalte por Pam East (www.pinzart.com)
A
terceira vantagem se refere à própria criação
da peça-base onde será aplicado o esmalte. Peças
em basse-taille* apresentam desenhos em baixo-relevo que serão
visíveis através do esmalte transparente, e o champlevé
inclui depressões na prata que serão preenchidas
com esmalte. Na joalheria tradicional esses relevos seriam obtidos
através da laminação da prata com texturas,
recortes e solda, estamparia, corrosão com ácidos,
etc. Com a Art Clay esses relevos e depressões podem ser
obtidos com carimbos e de texturas das mais diversas, utilizando-se
apenas um rolinho para imprimi-las na massa.
*ver detalhes em http://www.joiabr.com.br/esmalt/0306.html
Diversos
materiais existentes no mercado podem
ser utilizados para criar relevos e texturas
Mesmo
a corrosão para a criação de peças
em champlevé* pode ser feita em Art Clay utilizando-se
água ao invés de ácido nítrico. A
proteção da peça, que no exemplo é
feita com Neutrol, pode ser feita com cera de abelha derretida
em banho-maria e aplicada com uma ponta metálica (agulha,
lecron ou ponta de pinça). A corrosão será
feita com uma escova de dentes macia e lavando as partes a serem
corroídas dentro de um pequeno recipiente com água.
Toda a Art Clay residual no fundo do recipiente pode ser recolhida
e reutilizada, sem haver perda de material. A peça em Art
Clay recoberta de cera de abelha e corroída deve ser seca
e queimada normalmente e, após a queima, pode ser esmaltada
da maneira tradicional.
*ver
passo-a-passo em http://www.joiabr.com.br/esmalt/0406.html
Pingente
em Art Clay e esmalte (por Priscilla Vassão),
técnica: Champlevé por corrosão
|