A Art Clay é uma grande ferramenta para
a criação e modelagem de peças em prata;
podem ser feitos anéis, pingentes, brincos, pulseiras,
braceletes, acessórios para o cabelo e o que a imaginação
permitir. Para uma grande parte dos projetos, no entanto, é
necessário recorrer a outros materiais para o elemento
funcional e/ou estrutural da peça, como fios de prata para
ganchos e pinos de brincos, garras e virolas prontas para a cravação
de pedras.
Por outro lado, o artista pode querer trabalhar
com peças de prata comum para atingir determinados requisitos
do próprio design da jóia, sejam eles formais, funcionais
ou estruturais. Um aro de prata comum pode ser utilizado como
base para a execução de um anel com o topo modelado
em Art Clay; um brinco liso em prata pode ser ornamentado com
detalhes feitos com a massa; pode-se utilizar fios de metais de
cores diferentes, como cobre, ouro e titânio, para dar um
efeito de inlay ou casamento de metais em uma peça de Art
Clay.
Existem três maneiras de trabalhar com prata
comum e outros metais juntamente com a Art Clay: através
de conexões a frio (rebites e colas), soldas, e através
do encapsulamento desses metais dentro da peça de Art Clay.
Uma peça feita em Art Clay, após
queimada, pode ser rebitada ou colada de qualquer maneira tradicional,
portanto vamos nos ater às outras alternativas.
A
soldagem de uma peça queimada de Art Clay, que é
prata 1000, a uma peça de prata comum, qualquer que seja
a liga, pode ser feita com solda de prata comum. Recomenda-se
utilizar uma solda forte de alto ponto de fusão, pois ela
tem uma quantidade menor de outros metais em sua composição
e oferece uma adesão mais segura. Isso ocorre porque a
prata pura da Art Clay tem uma formação cristalina
diferente da prata comum, mais porosa (similar à uma peça
de fundição), e a solda de ponto de fusão
mais baixo tende a se ligar à prata pura e corroer a peça
no ponto em que foi depositada. Por esse motivo, também
se recomenda que a utilização exígua de fluxo
(soldaron) restrita à área que vai receber a solda,
e que a área receba brunimento anterior à soldagem
(para que os poros superficiais de peça de Art Clay sejam
"fechados").
Ornamento
em Art Clay sendo soldado em aro de prata comum (925)
Uma
segunda maneira de solda, que pode ser executada apenas prata
(pois não funciona com outros metais como ouro ou cobre),
é a utilização de um dos dois produtos da
própria Art Clay adequados a esse uso: a Oil Paste e a
Overlay Paste. A primeira é uma pasta de Art Clay à
base de óleo, que é aplicada generosamente sobre
a área de solda, seca cuidadosamente e posteriormente queimada
em forno de alta temperatura ou com um maçarico por 30
minutos. A pasta Oil Paste também é ótima
para reparar rachaduras ou preencher buracos em peças de
prata comum ou Art Clay, e resulta em uma solda resistente. A
segunda opção, de trabalho mais facilitado, é
a Overlay Paste, que é uma pasta de Art Clay à base
de água que deve ser queimada por 3 a 5 minutos com o maçarico.
Originalmente criada para decoração de vidro ou
cerâmica, a Overlay mostra-se também excelente para
soldar peças de prata ou Art Clay umas às outras,
e funciona como uma verdadeira "massa corrida" de prata
1000.
Lembre-se
sempre de que a Art Clay é prata pura e adere somente à
prata pura. Portanto qualquer peça de prata comum que não
seja prata 1000 (ou seja, ligas que contenham metais como cobre)
deve ser tratada antes de ser feita a solda com os próprios
produtos Art Clay. Esse tratamento consiste no chamado tratamento
térmico (depletion gilding) no qual a peça é
aquecida com maçarico até que oxide (escureça)
e posteriormente depositada em solução decapante,
e esse processo é executado repetidas vezes até
que a peça não mais oxide quando aquecida: isso
significa que a peça está recoberta por uma camada
microscópica de prata pura, e essa camada é essencial
para garantir uma boa aderência da peça à
Art Clay.
O
encapsulamento de peças de metais diversos dentro da Art
Clay é indicado para casos como inserção
de pinos ou ganchos de brinco, para os quais a pequena àrea
de contato pode ser impraticável para uma solda comum.
Neste caso, deve ser feita uma base no fio de prata, ou seja,
uma dobra na forma de "L" para que o fio possa se incrustar
seguramente dentro da massa.
Fio
de prata para cravação de pérola é
inserido na massa antes da queima
A
vantagem desse processo é que toda a "solda"
é feita de uma só vez, e a Art Clay crava a peça
de metal em função da pequena redução
durante a queima.
Esse
processo pode ser aproveitado para uma técnica que dá
um resultado similar ao do inlay tradicional: fios e peças
de metal como ouro, cobre, latão ou titânio são
inseridos na massa e completamente recobertos, e após a
queima da Art Clay a peça é limada até que
os metais apareçam na superfície da jóia.
Peça
modelada com Art Clay Silver e fios de latão, oxidada
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