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ART CLAY E PRATA TRADICIONAL




Priscilla Vassão*




A Art Clay é uma grande ferramenta para a criação e modelagem de peças em prata; podem ser feitos anéis, pingentes, brincos, pulseiras, braceletes, acessórios para o cabelo e o que a imaginação permitir. Para uma grande parte dos projetos, no entanto, é necessário recorrer a outros materiais para o elemento funcional e/ou estrutural da peça, como fios de prata para ganchos e pinos de brincos, garras e virolas prontas para a cravação de pedras.

Por outro lado, o artista pode querer trabalhar com peças de prata comum para atingir determinados requisitos do próprio design da jóia, sejam eles formais, funcionais ou estruturais. Um aro de prata comum pode ser utilizado como base para a execução de um anel com o topo modelado em Art Clay; um brinco liso em prata pode ser ornamentado com detalhes feitos com a massa; pode-se utilizar fios de metais de cores diferentes, como cobre, ouro e titânio, para dar um efeito de inlay ou casamento de metais em uma peça de Art Clay.

Existem três maneiras de trabalhar com prata comum e outros metais juntamente com a Art Clay: através de conexões a frio (rebites e colas), soldas, e através do encapsulamento desses metais dentro da peça de Art Clay.

Uma peça feita em Art Clay, após queimada, pode ser rebitada ou colada de qualquer maneira tradicional, portanto vamos nos ater às outras alternativas.

A soldagem de uma peça queimada de Art Clay, que é prata 1000, a uma peça de prata comum, qualquer que seja a liga, pode ser feita com solda de prata comum. Recomenda-se utilizar uma solda forte de alto ponto de fusão, pois ela tem uma quantidade menor de outros metais em sua composição e oferece uma adesão mais segura. Isso ocorre porque a prata pura da Art Clay tem uma formação cristalina diferente da prata comum, mais porosa (similar à uma peça de fundição), e a solda de ponto de fusão mais baixo tende a se ligar à prata pura e corroer a peça no ponto em que foi depositada. Por esse motivo, também se recomenda que a utilização exígua de fluxo (soldaron) restrita à área que vai receber a solda, e que a área receba brunimento anterior à soldagem (para que os poros superficiais de peça de Art Clay sejam "fechados").

Ornamento em Art Clay sendo soldado em aro de prata comum (925)

Uma segunda maneira de solda, que pode ser executada apenas prata (pois não funciona com outros metais como ouro ou cobre), é a utilização de um dos dois produtos da própria Art Clay adequados a esse uso: a Oil Paste e a Overlay Paste. A primeira é uma pasta de Art Clay à base de óleo, que é aplicada generosamente sobre a área de solda, seca cuidadosamente e posteriormente queimada em forno de alta temperatura ou com um maçarico por 30 minutos. A pasta Oil Paste também é ótima para reparar rachaduras ou preencher buracos em peças de prata comum ou Art Clay, e resulta em uma solda resistente. A segunda opção, de trabalho mais facilitado, é a Overlay Paste, que é uma pasta de Art Clay à base de água que deve ser queimada por 3 a 5 minutos com o maçarico. Originalmente criada para decoração de vidro ou cerâmica, a Overlay mostra-se também excelente para soldar peças de prata ou Art Clay umas às outras, e funciona como uma verdadeira "massa corrida" de prata 1000.

Lembre-se sempre de que a Art Clay é prata pura e adere somente à prata pura. Portanto qualquer peça de prata comum que não seja prata 1000 (ou seja, ligas que contenham metais como cobre) deve ser tratada antes de ser feita a solda com os próprios produtos Art Clay. Esse tratamento consiste no chamado tratamento térmico (depletion gilding) no qual a peça é aquecida com maçarico até que oxide (escureça) e posteriormente depositada em solução decapante, e esse processo é executado repetidas vezes até que a peça não mais oxide quando aquecida: isso significa que a peça está recoberta por uma camada microscópica de prata pura, e essa camada é essencial para garantir uma boa aderência da peça à Art Clay.

O encapsulamento de peças de metais diversos dentro da Art Clay é indicado para casos como inserção de pinos ou ganchos de brinco, para os quais a pequena àrea de contato pode ser impraticável para uma solda comum. Neste caso, deve ser feita uma base no fio de prata, ou seja, uma dobra na forma de "L" para que o fio possa se incrustar seguramente dentro da massa.

Fio de prata para cravação de pérola é inserido na massa antes da queima

A vantagem desse processo é que toda a "solda" é feita de uma só vez, e a Art Clay crava a peça de metal em função da pequena redução durante a queima.

Esse processo pode ser aproveitado para uma técnica que dá um resultado similar ao do inlay tradicional: fios e peças de metal como ouro, cobre, latão ou titânio são inseridos na massa e completamente recobertos, e após a queima da Art Clay a peça é limada até que os metais apareçam na superfície da jóia.

Peça modelada com Art Clay Silver e fios de latão, oxidada


 


*Priscilla Vassão - diretora da Art Clay Brasil e instrutora sênior certificada pela Art Clay Japan. Ministra workshops e cursos introdutórios e de certificação em Art Clay. É arquiteta formada pela FAU-USP e autora de jóias.
Contato:
www.artclay.com.br - artclay@artclay.com.br

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