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UTILIZANDO PEDRAS EM ART CLAY




Priscilla Vassão*




A utilização de pedras na joalheria em Art Clay é um tanto mais complexa do que na joalheria tradicional. Como a massa da Art Clay tem um encolhimento de 8-9% durante a queima, essa diminuição pode ser utilizada a favor da cravação. Por outro lado, por se tratar de um material cerâmico, não possui a flexibilidade da prata normal e portanto não pode ser cravada da maneira tradicional.

Há basicamente dois tipos de cravação em Art Clay: durante a queima e após a queima.

A cravação durante a queima é normalmente feita em pedras e materiais que resistam ao calor e tempo da queima, como pedras sintéticas (zircônias, espinélios, rubis), vidro, porcelana e metais, além das pedras naturais com dureza Mohs acima de 8. Note que as pedras naturais, mesmo as com dureza apropriada, podem sofrer alteração de cor ou até mesmo não resistir à queima, dado que a maioria das pedras disponíveis no mercado recebe algum tipo de tratamento para melhoria de aspecto, como banhos de óleo, resinas, bombardeamento, etc. Na dúvida, o melhor é sempre testar a pedra antes no fogo – caso ela seja muito valiosa, é melhor deixa-la para a cravação após a queima.

A cravação “a quente” é feita basicamente inserindo-se a pedra na massa que, durante a queima, vai se contrair ao redor da pedra e cravá-la em seu lugar.

Anéis com pedras sintéticas incrustadas diretamente na massa

Já a cravação “a frio” oferece mais opções, de acordo com o design ou formato da pedra a ser cravada.

A primeira opção é construir a virola (caixinha) ou o chatão (garras) em prata comum da maneira tradicional e inserir a peça dentro da massa antes da queima, de maneira que a massa crave a peça e, posteriormente, fazer a cravação tradicional da pedra.

Chatão pronto sendo inserido na massa

Anel com chatão tradicional inserido na massa

Os três chatões estão inseridos através de um pino feito na lateral

Essa primeira opção não é útil para quem não tem treinamento em joalheria artesanal ou não tem paciência para a confecção da peça. Portanto, a segunda opção é fazer a caixinha da pedra diretamente na massa, utilizando fios de prata 1000 (para fazer as garras) ou fitas de prata 1000 (para fazer a virola), inseri-los diretamente na massa e posteriormente cravar a pedra, fechando-se as garras ou a caixinha com o auxílio de um brunidor.



Seqüência que ilustra a confecção de uma virola com fita de prata 1000 e inserção na massa

Uma terceira opção, muito utilizada para pedras irregulares e cabochões grandes, é modelar a jóia já deixando o espaço adequado para a pedra levando-se em consideração o encolhimento da massa. O pulo do gato é calcular corretamente o tamanho inicial do “espaço” da pedra para que, depois do encolhimento, ele fique do tamanho exato. A melhor opção é desenhar o formato da pedra em papel cuidando para que ele esteja bem exato, e tirar uma cópia xérox ampliada em 111%. Use esse padrão ampliado para desenhar sua peça. Após a queima, a pedra pode ser aderida no lugar com adesivo epóxi.

Para quem considera o adesivo epóxi um palavrão em se tratando de joalheria, surge a quarta opção, desenvolvida e divulgada há poucos meses por Jenifer Kahn, uma artista americana. Ela sugere criar a própria caixinha da pedra (no caso da virola, na cravação inglesa) totalmente em Art Clay, utilizando como fita de prata uma tira de Art Clay Paper. O cuidado com o encolhimento deve ser igual ao da opção três, mas ao final tem-se uma caixinha do tamanho perfeito e contendo uma virola que pode ser gentilmente cravada com a ajuda de um brunidor.

Frente e verso de um pingente feito com o método de Jen Kahn


*Priscilla Vassão - diretora da Art Clay Brasil e instrutora sênior certificada pela Art Clay Japan. Ministra workshops e cursos introdutórios e de certificação em Art Clay. É arquiteta formada pela FAU-USP e autora de jóias.
Contato:
www.artclay.com.br - artclay@artclay.com.br

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