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JOALHERIA PARA QUEM NÃO É JOALHEIRO



Priscilla Vassão*




Há poucos dias fui chamada para ministrar uma aula especial de Art Clay Silver em uma instituição esotérica. A aula foi chamada de “Joalheria Mágica” e apresentava a proposta de se executar um talismã de prata com inscrições ou símbolos mágicos.

Tal proposta poderia causar um certo estranhamento, talvez até um certo grau de chacota. Nós, profissionais do ramo joalheiro, temos a tendência de sermos um tanto quanto herméticos quando o assunto é joalheria, e tudo aquilo que foge à esfera de nossas guildas ou que ameaça nossos segredos é tratado como objeto menor, indigno de valor. Pois nessa aula com esses alunos despreparados aprendi uma lição valiosa sobre o nosso produto e o nosso ofício.

Pela nossa arrogância, que nada mais é que reflexo da cultura material em que vivemos, passamos a produzir jóias que são belas mas desprovidas de significado, são ícones da moda e do momento mas não expressam mais a identidade do usuário, são símbolos de status e poder e não de valores e opiniões. Não mais fazemos jóias de arte, mas aquilo que o mercado quer, com as gemas da moda e as tendências européias. É comum, nas escolas de joalheria, ver uma aluna iniciante com uma página arrancada de uma revista tentando copiar “aquela” jóia.

As alunas que tive nessa aula, que nunca haviam trabalhado com metal e nem sequer sabiam como surgem as jóias, passaram algumas horas trabalhando com a Art Clay Silver, desenhando e modelando seus próprios talismãs de acordo com o que sua consciência (ou inconsciência) mandava, deliciando-se com cada passo da execução e terminando com um pingente de prata imaginado e feito por elas do começo ao fim. Elas tiveram um encontro mais íntimo com sua jóia do que muitos de nós já tivemos. Suas jóias eram expressões plenas de sua alma e sua arte.

Nesse contexto, a Art Clay aparece como uma ferramenta capaz de permitir que não-joalheiros talentosos se expressem artisticamente em uma jóia. Sem necessitar de ferramentas caras e difíceis de encontrar e de conhecimentos restritos a uma minoria hermética, qualquer pessoa que quiser fazer uma jóia, pode.

E nós, designers e joalheiros artesãos, podemos ver na Art Clay Silver uma oportunidade de libertação, para “pensar fora da caixa” e encontrar novas maneiras de fazer a nossa arte.


*Priscilla Vassão - diretora da Art Clay Brasil e instrutora sênior certificada pela Art Clay Japan. Ministra workshops e cursos introdutórios e de certificação em Art Clay. É arquiteta formada pela FAU-USP e autora de jóias.
Contato:
www.artclay.com.br - artclay@artclay.com.br

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